Magic x Final Fantasy e a Teoria de 2027: Quais as chances de acontecer

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A edição de Magic com Final Fantasy foi a expansão mais vendida da história do card game, e há motivos para acreditar que 2027 pode trazer mais um episódio dessa colaboração

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Revisado porTabata Marques

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Uma matéria recente no site de Magic: The Gathering com entrevista de Tetsuya Nomura, diretor criativo de Final Fantasy, reacendeu especulações sobre nova parceria entre Wizards of the Coast e Square Enix, que especula um novo set planejado para 2027. A maioria ignorou um detalhe: a entrevista foi feita em maio de 2025, próximo do lançamento da expansão. Foi só publicada agora.

A especulação faz todo sentido comercial. A colaboração foi o set mais vendido da história de Magic, levantou 200 milhões de dólares em um dia e forçou a empresa a quadruplicar a produção para atender à demanda. O Magic Arena também quebrou recordes de jogadores simultâneos na Steam durante a semana de lançamento de Final Fantasy.

A Hasbro tem um padrão pouco saudável, mas previsível, com Magic: repete o que funciona até parar de funcionar. Ilustrações com traços de anime existem até hoje porque deram certo na primeira Strixhaven. Quatro expansões de Universes Beyond estão programadas para 2026 porque The Lord of the Rings se tornou a edição mais vendida da história em 2023, e a empresa já tenta repetir a fórmula de parcerias utilizando a mesma marca com The Hobbit, previsto para agosto.

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Quando o produto mais lucrativo da história do seu jogo de 30 anos é uma colaboração com uma franquia específica, você não abandona esse relacionamento depois do primeiro sucesso. No que depende da Hasbro, a pergunta não é "se", é "quando". O "quando" depende da Square Enix, e os sinais de lá também são positivos: as vendas de merchandising da empresa dobraram em 2025 comparadas ao ano anterior, impulsionadas pela colaboração com Magic.

Relatório do primeiro semestre de 2026 da Square Enix aponta para o aumento da compra de merchandising impulsionado pela colaboração com Magic / Imagem: Square Enix
Relatório do primeiro semestre de 2026 da Square Enix aponta para o aumento da compra de merchandising impulsionado pela colaboração com Magic / Imagem: Square Enix

A expansão ainda serviu como divulgação gratuita para o card game de Final Fantasy produzido pela própria Square Enix, cuja comunidade é visivelmente menor. Há ganhos para os dois lados. Magic e Final Fantasy movem legiões de fãs apaixonados, mas no fim a Hasbro e a Square Enix são empresas. Como toda empresa, o objetivo é lucro.

Se a colaboração foi o produto mais rentável da história de Magic e dobrou a receita de merchandising para Final Fantasy, há motivos para uma segunda parceria. Resta definir quando isso pode acontecer e como será executado.

2027 é o Ano Perfeito

A maioria dos fãs aponta para 2027 como o período perfeito para uma nova colaboração.

Final Fantasy completa 40 anos em dezembro de 2027. É também o ano em que Final Fantasy VII completa 30 anos — especulações sobre o lançamento do terceiro episódio do Remake giram em torno dessa data e existem sinais de ela estar correta. Dificilmente haverá janela melhor nesta década.

Magic não costuma lançar expansões em dezembro, mas faz questão de tornar o último set do ano memorável. Avatar: The Last Airbenderlink outside website foi a terceira coleção mais vendida da história, mesmo sem decks de Commander. Star Trek será a última edição de 2026, ano do 60º aniversário da série. Final Fantasy 2, para celebrar os 40 anos da franquia, se encaixaria nessa lógica.

Mas 2027 não é garantia. Lord of the Rings, um "tentpole set" — coleção principal do ano com linha completa de produtos — levou três anos para ganhar uma segunda expansão. Se aplicarmos a mesma lógica, 2028 ainda seria aceitável para comemorar os 40 anos e abriria espaço para outra coleção principal com linha completa entre booster sets e decks de Commander.

O problema é se haverá o suficiente para justificar uma edição desse porte. Final Fantasy possui diversos universos e personagens marcantes, mas nem todos os jogos proporcionam material o suficiente para repetir o mesmo sucesso comercial. Há três caminhos possíveis para um novo set, mas nenhum deles, sozinho, pode sustentar uma coleção principal com quatro decks de Commander com o mesmo potencial do antecessor.

O Caminho dos Spin-Offs

A primeira opção envolve spin-offs e continuidades: Final Fantasy Tactics, Type-0, Stranger of Paradise, Crystal Chronicles, a compilação de FFVII com Before Crisis, Crisis Core, Ever Crisis, a Lightning Saga em FFXIII, Final Fantasy X-2 e Final Fantasy IV: The After Years.

A lista é extensa e poderia sustentar uma expansão do mesmo tamanho. Os spin-offs, entretanto, têm recepção mista entre fãs da franquia e ainda pior fora dela. Nem todos são reconhecíveis ou causam o mesmo apoio entusiasmado da base. Jogos como The After Years e Dirge of Cerberus são vistos como fracassos e não empolgam como Final Fantasy Tactics — com legião de fãs há 30 anos — empolgaria.

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Spin-offs funcionam melhor como coleção dedicada de decks de Commander. Ramza e Delita poderiam liderar baralhos pré-construídos ou compartilhar um deck nas cores de Esper Magic Symbol WMagic Symbol UMagic Symbol B. A Class Zero tem 14 personagens jogáveis que poderiam formar um baralho de cinco cores com mecânica flexível de comandante, como foi feito com Turtle Power de TMNT. Jack Garland se encaixaria nas cores de Grixis Magic Symbol UMagic Symbol BMagic Symbol R, conectando Stranger of Paradise às mecânicas de Garland, Knight of Cornelia e Garland, Royal Kidnapper, e Crystal Chronicles tem lore suficiente para estabelecer um deck próprio, possivelmente nas cores de Bant Magic Symbol WMagic Symbol UMagic Symbol G.

A Rota do Final Fantasy VII

A segunda opção é surfar no entusiasmo do Remake de Final Fantasy VII e criar uma expansão dedicada, incluindo toda a Compilação: Before Crisis, Crisis Core, Advent Children, Dirge of Cerberus e Ever Crisis.

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O universo de FFVII tem o suficiente para sustentar uma edição própria, mas já foi o jogo mais explorado na edição principal, com 132 cartas diferentes. Criar uma nova expansão do zero sem reutilizar designs ou mecânicas seria um desafio. É contornável — a compilação completa tem tanto material quanto Spider-Man, TMNT, talvez até mais que Lord of the Rings — mas requer cuidados para não esbarrar nos mesmos tropeços de algumas das parcerias recentes de Magic.

Este caminho não se encaixaria em um conjunto com decks de Commander. Já houve um pré-construído de FFVII em 2025 e as diferenças entre mecânicas e facções entre personagens podem não justificar uma linha de quatro decks. No máximo, podem sustentar duas, com reprints pontuais do primeiro set.

A Rota do Secret Lair

Tem o caminho mais seguro para a Wizards, mas ruim para o consumidor comum.

Magic já realizou colaborações da série Secret Lair com artistas renomados ilustrando cartas do jogo. Foi surpresa não existir um Artist Series dedicado a Final Fantasy. Os trabalhos de Yoshitaka Amano são mundialmente reconhecidos e já houve relacionamento anterior com a ilustração de Liliana, Dreadhorde General em 2019, mas não chegaram a lançar um produto com parceria direta.

Liliana, Dreadhorde General, ilustrada por Yoshitaka Amano
Liliana, Dreadhorde General, ilustrada por Yoshitaka Amano

Basta olhar as ilustrações feitas por esses artistaslink outside website para saber que todos têm potencial para um drop de Secret Lair. Seria interessante ver como Amano, Nomura ou Roberto Ferrari representariam cards icônicos de Magic e como os conectariam ao universo de Final Fantasy se tiverem ampla liberdade.

Secret Lair é uma saída segura para celebrar tanto os 40 anos de Final Fantasy quanto os 30 de FFVII em 2027. Basta separá-los de forma assertiva — fácil quando o aniversário de FFVII é em janeiro e o da franquia em dezembro — e preparar linha de produtos para ambos.

No entanto, essa é a pior escolha para o consumidor. Secret Lairs são conhecidos por filas longas, especulação de scalpers, tiragem limitada e preços abusivos em marketplaces. Serviria com facilidade para quem busca exclusividade, mas são pouco acessíveis ao público geral. Por consequência, são incapazes de repetir o sucesso que transformou Final Fantasy na coleção de maior sucesso comercial da história.

Concluindo

Há motivos para acreditar que Magic e Final Fantasy farão nova parceria. Especulações em torno de uma edição para 2027 têm respaldo temporal e histórico, mas não significa que vai acontecer. Há muitas variáveis além de vendas que podem motivar ou desencorajar um contrato na mesa de negociação, mesmo quando não restam dúvidas sobre o sucesso da expansão de 2025.

Resta aguardar. Como fã de Final Fantasy desde 1999 e jogador de Magic há dezoito anos, a possibilidade me fascina, mas também traz receios. Universes Beyond deveria ser um produto especial. A Hasbro jogou essa lógica fora quando colocou quatro colaborações entre os sete lançamentos de 2026. Seria lamentável ver o excesso de parcerias transformar Final Fantasy 2 em apenas "mais uma edição".