Metagame Legacy: The Fantasticar e o pós-banimento

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O Metagame do Legacy foi sacudido por dois eventos: o banimento de Candelabra of Tawnos e a chegada de The Fantasticar. Vamos analisar o impacto desses dois eventos no formato.

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Revisado porTabata Marques

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Apresentação

Olá meus amigos do Legacy! Estou de volta de um curto período de férias onde pude curtir a fase de grupos da Copa e viajar para o casamento de um primo, então vamos ver o que aconteceu nessa breve pausa. E olha que aconteceu bastante coisa em tão pouco tempo!

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Candelabra of Tawnos: Apagando Velas

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Tivemos um anúncio de banimentos nesse período e, conforme previmos no artigo especulando o que poderia acontecerlink outside website, embora a ótica lógica indicasse que não teríamos alterações nesse ciclo, nós tínhamos uma intuição de que Candelabra of Tawnos seria ceifada. E foi o que aconteceu. Mas não sem uma boa dose de polêmicas.

O que gerou a grande polêmica foi a sensação de que os motivos alegados para o banimento não condizem com a realidade e que o motivo real para o banimento foi outro. Vamos aos fatos:

Candelabra of Tawnos gera uma dicotomia entre os mundos físico e digital, pois é uma carta com o valor absurdo no papel e apenas alguns dólares no Magic Online. Isso gera uma enorme discrepância quando um deck usando 4 cópias dela, o Trini Tron, assume o status de tier 1 online, mas com exceção de ambientes que permitam proxies (outro assunto polêmico por si só), você raramente conseguirá ver muitos em torneios físicos devido à indisponibilidade da carta;

O Trini Tron começou a demonstrar alguns índices dignos de preocupação, o suficiente para já ser mencionado como deck em observação no anúncio anterior. Isso nos levaria a crer que se a tendência se mantivesse, a Wizards poderia tomar ações contra o deck.

Conforme nós comentamos no artigo anterior, ficou claro nesses dois últimos anúncios de banimentos que há um significativo intervalo entre quando as decisões são tomadas e quando elas são finalmente anunciadas. Isso pode ser percebido quando tanto o Oops quanto o Tron foram atingidos em momentos que estavam em uma trajetória descendente e não no seu ápice de dominância. Portanto, mesmo que entre os jogadores pudesse existir um sentimento de que o arquétipo estivesse sob controle na época do anúncio, esse momento poderia muito bem estar diferente de quando os dados foram levantados para a decisão, semanas antes.

A Wizards já indicou outras vezes que se for possível banir algo para reduzir o poder de um deck sem obliterá-lo, ela tentaria essa alternativa. Exemplos são o banimento de Undercity Informer (bem-sucedido, já que o Oops ainda é um deck viável) e de Troll of Khazad-dûm (malsucedido, já que o Dimir Reanimator continuou opressivo e Entomb acabou banido posteriormente).

Foram essas informações que me levaram a crer que a Wizards usaria a justificativa de enfraquecer o Trini Tron para banir Candelabra e solucionar o problema que a carta causava no formato físico, ainda que o deck estivesse sendo melhor respondido pelo formato. Afinal, se o objetivo fosse simplesmente remover o deck da equação, os alvos mais óbvios seriam Planar Nexus ou The One Ring.

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De fato, Candelabra foi removida de circulação e a questão do seu valor discrepante foi retirada de pauta. Mas as justificativas apresentadas é que não se sustentam. O argumento é que o efeito é o maior probabilidade de causar problemas para o futuro, mas embora uma parte importante da estrutura que faz o deck funcionar, a carta banida não é nem de longe a carta mais crucial do deck.

De qualquer maneira, com ou sem banimento, não era provável que o Trini Tron se mantivesse no topo do Meta, pois um novo jogador entrou na disputa, alguém capaz de causar enormes problemas para o deck.

The Fantasticar: Aqueçam os seus Motores!

Marvel Super Heroes já está valendo e não teria muito impacto no Legacy com exceção de Loki, God of Mischief (uma carta muito boa no Cephalid Breakfast) e talvez Hex Magic e Mole Man, Moloid Master aparecendo em alguns decks. Não teria muito impacto se não fosse a existência de uma única e singular carta.

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O novo veículo Lendário fez um enorme estrago e desestabilizou um formato que estava há muito tempo saudável de uma maneira implacável. Estou, no caso, me referindo ao Vintage, que deixou para trás anos de estabilidade para entrar em um estado de caos absoluto. Jogadores do formato mal podem aguardar a nova janela de restrições para se ver livre da carta.

Mas esse é um formato com todas as condições de tornar a carta uma ameaça opressiva. Certamente no Legacy a coisa seria totalmente diferente, certo?

De certa maneira, sim. No Legacy, The Fantasticar não é o problema absurdo que se mostrou no Vintage. Mas vamos apenas retirar a palavra “absurdo” da frase e ficar com a palavra “problema”. Aqui não temos Mishra’s Workshop e Moxes para garantir que 4 Constructs entrem em jogo no turno 1 com enorme consistência, mas, ainda assim, há uma quantidade suficiente de cartas para atingir a massa crítica muito rapidamente.

O primeiro e mais óbvio lar para a carta foi o Affinity, onde Ancient Tomb, Mox Opal, Lotus Petal e outros Artefatos de custo 0 fazem com que a invocação dos 4 Tokens seja uma mera trivialidade. Se esse fosse o único deck a fazer uso dessa interação, poderíamos manejar o formato para conter a situação.

Mas aí uma mente brilhante percebeu que poderia usar a carta como plano secundário no deck de Doomsday (maravilhosamente renomeado como Vroomsday!), já que poderia ativar a carta através de Dark Ritual, Lotus Petal e alguma cantrip de 1 mana ou Mishra’s Bauble. Um deck que já era forte passou a atacar por um ângulo totalmente diferente do original, o que fez seu nível de poder aumentar significativamente.

E aí o deck de Storm passou a usar também, já que é ridiculamente fácil para um deck que tem por objetivo fazer 9 mágicas e 1 Tendrils of Agony fazer as 4 mágicas do Carro. E o Mystic Forge percebeu que também podia fazer o mesmo entre Grim Monolith, Manifold Key e Lotus Petal. Aí alguém resolveu usar a carta no deck de combo de Sewer-veillance Cam, já que você tem uma infinidade de cartas de custo 0.

E já que é para ser criativo, algum gênio maníaco desenterrou o deck de Arclight Phoenix das profundezas de sua obsolescência e colocou 4 The Fantasticar nessa mistura. Até mesmo o Reanimator, que tem um plano de jogo superfocado no que quer fazer, resolveu se aventurar com o veículo do Quarteto Fantástico. E certamente devemos ter mais uma dezena de arquétipos tentando incorporar a novidade na sua base, como eu já vi Sneak n’ Show e Dimir Tempo testando.

Equalidade

Ok, a carta está se espalhando por diversos arquétipos. Mas ela é realmente problemática? Potenciais 16 pontos de dano espalhado em 4 corpos com Haste caindo nos 3 primeiros turnos de jogo são um desafio para se lidar, mas não é exatamente longe das coisas que enfrentamos no formato como Thassa’s Oracle com um deck vazio ou uma Tendrils of Agony letal nos primeiros turnos, uma Atraxa, Grand Unifier enquanto você ainda está baixando seus primeiros terrenos, ou Trinisphere no 1 transformando o jogo em um embate arrastado.

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De fato a carta é bastante forte e adiciona novas maneiras de alguns decks chegarem à vitória que contornam as maneiras contra as quais esses decks são vulneráveis. Imagina se defender de um Doomsday apenas para ser atropelado por uma horda de carros voadores. É o tipo de carta que deixa seu impacto no formato e força os jogadores a se adaptar a ela.

Cartas como Force of Vigor, Thalia, Guardian of Thraben, Trinisphere e até mesmo Abolish ganham espaço como maneiras de evitar que o Fantasticar possa explodir precocemente. Então, puramente por power level, podemos dizer que ainda é muito cedo para analisar o real lugar da carta no Metagame e que ela pode ser absorvida e assimilada conforme os dias passem.

O verdadeiro problema que ela está gerando é outro e ironicamente usarei a frase de uma outra franquia de super-heróis para explicá-la: o plano do vilão Síndrome é que todos possam ter acesso a superpoderes e diz: “e quando todos são super, ninguém será”. Geralmente cartas quebradas no Legacy encontram um nicho e transformam aquele deck em uma ameaça imbatível. Não é o caso de The Fantasticar.

Ela é uma carta capaz de ser encaixada em tantos decks com um mínimo de adaptação, que como eu denotei acima, diversos arquétipos têm empregado o serviço dos Token de Construct. E quando uma quantidade enorme de decks usa a mesma estratégia, a diversidade sofre. Quando o formato vira um festival de quem consegue transformar o carro primeiro, muitas das estratégias acabam ficando de lado. O fato de a carta ser um Artefato e o suporte ser amplamente disponível para basicamente qualquer estratégia faz com que, com pouco esforço, qualquer deck tenha acesso a seus serviços.

Essa situação me lembra uma situação que já enfrentamos no Legacy quando uma carta era acessível a todas as estratégias e praticamente todos os decks usavam 4 dela e o formato virou um festival de jogadas repetidas: Mental Misstep. Qualquer deck podia simplesmente pagar 2 de Vida para anular uma mágica de custo 1, inclusive outros Mental Misstep, e o ritmo de jogo se tornou extremamente homogenizado. Esse é o risco com The Fantasticar e o que dá a sensação de que a carta pode ter uma vida curta no formato.

Conclusão

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Segundo informações dos desenvolvedores, The Fantasticar deveria custar 4 manas. Faz todo o sentido para uma carta do QUARTETO FANTÁSTICO cheia de números 4 na sua caixa de texto, mas que teve o custo de mana reduzido para três para aumentar a sua jogabilidade. É basicamente a mesma história de alterações tardias com pouco teste levando a cartas problemáticas como já vimos anteriormente com Skullclamp e Nadu, Winged Wisdom.

The Fantasticar conseguiu quebrar o formato Vintage de uma maneira que apenas Vexing Bauble conseguiu em tempos recentes e no Legacy, embora seja uma carta muito mais palatável, leva a um estilo de jogo repetitivo entre diversos decks... imagine jogar um torneio e enfrentar 5 arquétipos diferentes ao longo de 5 rodadas, mas todos os jogos decididos por quem conseguiu colocar seus carros para bater primeiro. Não parece ser um prospecto animador.

É isso por hoje, um abraço fantástico e até a próxima!