Modern: Golgari Necrodominance - Guia de Deck

00Comment iconComment iconComment iconComment icon

No artigo de hoje iremos visitar a tentativa de adaptar um clássico para o Modern. Golgari Necrodominance é um midrange bem funcional e competitivo, uma escolha perfeita atualmente no formato.

Writer image

Revisado porTabata Marques

Edit Article

Hoje falaremos de um deck focado em um card que nada mais é que uma versão de Necropotence, mas mais ajustada para não quebrar o Modern em dois.

Nesse artigo, falaremos de um Golgari Necrodominance bem legal que apareceu no Canadá. É uma ótima opção de Midrange, lembrando muito um The Rock, e que é uma ótima pedida para quem gosta de jogar com as cores ou o arquétipo.

Necrodominance

Loading icon

Necrodominance é o card que dá nome a esse baralho. A comparação com Necropotence é inevitável, mas a liberação desta no Modern deixaria o formato insustentável. Para marinheiros de primeira viagem gastar vida para comprar muitas cartas pode não parecer um grande negócio, mas essa forma de gerar vantagem é um dos grandes bichos papões do Magic, capaz de sustentar combos inteiros e cavocar todo o deck atrás de uma wincondition.

Nesta lista, a ideia não é usar Necrodominance para buscar as peças do seu combo e vencer imediatamente. O deck quer usar o encantamento como uma engine de reposição, comprando uma quantidade alta de cartas no fim do turno, encontrando novas remoções, descartes, cópias de Soul Spike e ameaças como Sheoldred, the Apocalypse, que irão lhe ajudar mais ainda com compra de cards. Isso permite uma dinâmica bem característica, onde Golgari Necrodominance joga como um midrange preto bastante interativo, mas com um topo de curva cheio de acúmulo de valor.

O Deck Golgari Necrodominance

Estamos falando de um deck majoritariamente preto, com um splash verde pequeno, mas muito relevante, usando Witherbloom Charm, Assassin's Trophy, Culling Ritual, Overgrown Tomb e Underground Mortuary para ganhar ferramentas que um MonoBlack normalmente não teria.

Essa base faz com que o deck mantenha uma estrutura bem parecida com antigas propostas de The Rock no Modern, usando descarte, remoções e ameaças resistentes, mas com Necrodominance mudando bastante a forma como obtemos recursos. Em vez de depender apenas de trocar um por um e torcer para comprar melhor no topo, a lista consegue reconstruir a mão com uma frequência muito maior, desde que tenha tempo e vida suficientes para isso.

A lista que veremos hoje é a do jogador Joengunyenn que conseguiu o primeiro lugar em um RCQ no Canadá. O mesmo arquétipo também apareceu no Top 8 do evento, ficando em oitavo lugar com outra versão, mas para este artigo iremos focar na lista campeã.

A lista do artigo de hoje é a seguinte:

Loading icon

Interação barata

Loading icon

Thoughtseize e Inquisition of Kozilek são um clássico do turno 1. Em um Midrange não só o descarte de alguma peça core do deck oponente convém como a informação do que ele está jogando e do que ele tem em mãos sempre é bom. Já Fatal Push é uma das remoções padrão ouro do formato, principalmente em um deck com fetch lands suficientes para ligar Revolt com alguma recorrência. Marsh Flats e Polluted Delta não estão aqui apenas para corrigir mana.

Witherbloom Charm é uma das escolhas que mais justificam o verde. A carta faz um pouco de tudo que o deck quer fazer, removendo permanentes pequenas, lidando com algumas ameaças específicas e ainda podendo interagir com o cemitério. Esse tipo de flexibilidade importa muito em uma lista que não quer lotar o maindeck só com respostas, mas ainda precisa estar preparada para jogos diferentes.

Interação com a vida

Loading icon

Soul Spike é uma das cartas que melhor conversa com Necrodominance. Como a engine exige que o jogador pague vida para comprar cartas, ter uma mágica que pode ser conjurada exilando duas cartas pretas da mão é muito importante. Ela remove uma criatura ou causa dano no oponente, mas principalmente recupera quatro pontos de vida, o que ajuda a manter a Necrodominance funcionando por mais tempo.

Esse detalhe muda bastante a forma como o deck joga. Muitas listas de midrange precisam escolher entre segurar cartas para trocar recursos ou gastar tudo rapidamente para não ficar para trás. Com Soul Spike, as cartas compradas em excesso por Necrodominance também se transformam em combustível para estabilizar a board. Nem sempre será correto exilar duas cartas pretas sem pensar, mas a possibilidade de fazer isso sem gastar mana é parte importante da força do baralho.

Sheoldred, the Apocalypse fecha essa ideia de uma forma bem natural. Ela pune o oponente por comprar cartas, estabiliza corridas com ganho de vida e torna cada compra nossa ainda mais relevante. Quando Necrodominance e Sheoldred ficam em campo ao mesmo tempo, a relação entre comprar cartas e pagar vida fica muito mais favorável, criando um cenário onde o deck pode avançar em recursos sem se expor da mesma maneira.

Criaturas do Deck

Loading icon

Dauthi Voidwalker cumpre várias funções ao mesmo tempo. Ela avança o jogo, inviabiliza estratégias de cemitério adversário e ainda cria uma ameaça de castar uma carta exilada em algum momento oportuno. Em um deck cheio de descarte, isso fica ainda melhor, já que remover uma carta importante da mão do oponente pode se transformar em um recurso nosso mais tarde.

Graveyard Trespasser segue uma lógica parecida, mas de forma mais estável. Ele ajuda a controlar cemitérios, ganha vida e ajuda a aggrar o outro lado da mesa, além de ser relativamente chato de remover por exigir descarte de carta. Em partidas mais longas, esse tipo de corpo que acumula pequenos ganhos faz bastante diferença, principalmente porque o deck está sempre tentando preservar e recuperar sua vida para aproveitar melhor Necrodominance.

Orcish Bowmasters é perfeito para o formato, punindo compras extras, enquanto cria presença de mesa e ajuda a lidar com criaturas pequenas sem exigir muito investimento. Em um deck que já quer jogar em velocidade instantânea com algumas interações, Bowmasters encaixa bem como uma ameaça que pode alterar o ritmo do turno adversário.

Boggart Trawler e Fell the Profane são cartas de dupla face que ajudam bastante na construção da lista. Elas reduzem o risco de floodar, aumentam a densidade de cartas pretas para Soul Spike e ainda funcionam como terrenos quando necessário. Esse tipo de carta é especialmente importante em decks com Necrodominance, porque queremos uma contagem de terrenos funcional sem abrir mão de ter mágicas suficientes para comprar quando a engine começa a rodar.

Como jogar com o deck

No começo da partida, o plano é bem próximo de um midrange preto tradicional. Queremos usar Thoughtseize ou Inquisition of Kozilek para ver e diminuir a mão do oponente, remover as primeiras ameaças com Fatal Push e desenvolver board com criaturas que atrapalhem o plano adversário. Dauthi Voidwalker é excelente nesse estágio, porque transforma o cemitério do oponente em uma zona muito pior, enquanto Orcish Bowmasters pode punir sequências baseadas em compra de cartas ou criaturas pequenas.

No meio do jogo, a prioridade passa a ser encontrar uma janela segura para resolver Necrodominance. Nem sempre isso significa jogar o encantamento no terceiro turno. Em algumas partidas, será mais importante limpar a mesa, tirar uma resposta da mão do oponente ou segurar seus pontos de vida antes de começar a comprar muitas cartas. A lista tem bastante interação, mas Necrodominance cobra um preço que, mesmo que tranquilo, não deve ser ignorado, então sequenciar bem é parte central do deck.

Depois que a engine entra em campo, o deck muda o ritmo, já que podemos repor a mão com muito mais facilidade. Nesse ponto, Soul Spike ajuda a recuperar vida, Force of Despair pode limpar mesas que ficariam perigosas demais e Sheoldred, the Apocalypse transforma o jogo em uma corrida bem desfavorável para o oponente.

No fim da partida, o Golgari Necrodominance tende a vencer por acúmulo de recursos e dano de criaturas, que foram abrindo um gap lento comum no arquétipo midrange. Não é um deck que precisa finalizar de uma vez, mas ele consegue fechar jogos com uma Sheoldred protegida, ataques constantes de Dauthi Voidwalker e Graveyard Trespasser, ou mesmo com Soul Spike para letal. A lista não tem pressa como um Burn, mas também não quer deixar o jogo se alongar sem necessidade.

Sideboard

Loading icon

Assassin's Trophy entra quando precisamos lidar com permanentes que o maindeck não responde tão bem, uma vez que ela consegue remover qualquer tipo de card, até terrenos. Seu drawback de dar um terreno ao oponente existe, mas em um formato que tradicionalmente depende pouco de terrenos básicos a instant é uma ótima pedida.

Culling Ritual pune mesas cheias de permanentes de custo baixo, como Prowess e Affinity, e ainda devolve mana para o jogador. Não precisamos transformar isso em uma carta de combo para turnos longos, apenas lidar com permanentes problemáticas.

Damping Sphere e Disruptor Flute são ferramentas de contenção clássicas do formato. A Sphere atrasa estratégias que dependem de muitas mágicas no mesmo turno, como burn logo no começo da partida, ou de produção exagerada de mana, como Tron. Enquanto a Flute é uma peça mais pontual, capaz de travar cards específicos e comprar tempo para o midrange acontecer. Surgical Extraction reforça o plano contra cemitérios, como decks de Goryo’s Vengeance, também conversando bem com descarte e remoções.

Loading icon

As cópias adicionais de Force of Despair, Graveyard Trespasser e Orcish Bowmasters mostram que o sideboard não tenta transformar o deck em outra coisa. Ele apenas aumenta a densidade das cartas certas para determinados matchs. Mais Force ajuda contra mesas que crescem rápido demais, mais Trespasser melhora partidas onde cemitério e ganho de vida importam, enquanto Bowmasters reforça a interação contra decks que dependem de comprar cartas ou de criaturas pequenas.

Considerações Finais

Só no finalzinho desse artigo que percebi que o gigante no card é o Kroxa, Titan of Death’s Hunger. Ainda que o card seja ótimo e um belo reajuste de sua versão original, eu iria preferir a arte lembrando bem mais a Necropotence original, mas talvez com um personagem mais contemporâneo.