Este vídeo foi publicado por Gavin Verhey no canal Good Morning Magic nesta terça-feira, 23 de junho. Refere-se ao potencial banimento do Hawkeye Combo em 29 de junho.A data da postagem também marca o lançamento oficial de Marvel Super Heroes no Magic Online e o início da temporada competitiva da expansão. Para o Pauper, como o próprio vídeo indica, é o momento em que o combo de Seeker of Skybreak e Hawkeye's Bow será ostensivamente testado e aperfeiçoado para encontrar seu espaço no Metagame competitivo, com Challenges extras durante a semana para coleta de dados antes do Pauper Format Panel tomar uma decisão até segunda-feira.O combo já apresentava ampla repercussão nas mídias sociais desde o momento em que o artefato foi vazado. Jogadores fizeram até postagens no Reddit com centenas de curtidas e comentários pedindo o banimento preventivo de Hawkeye's Bow para evitar que o formato seja tomado por um combo com características semelhantes — na teoria — ao de Basking Broodscale e Sadistic Glee.Os primeiros resultados do Hawkeye Combo também já saíram, com três vitórias em Challenges. Ainda não são suficientes para dar uma resposta sobre o espaço de um novo deck no ambiente de um formato competitivo, especialmente um com tanto hype quanto este. Jogadores tentarão listas novas, elas se destacam e os eventos seguintes definem, aos poucos, o quanto o formato consegue se adaptar. A depender dos eventos até o sábado ou domingo, talvez uma posição conclusiva para a pergunta de Verhey nem sequer esteja clara.Por esse motivo, jogar parte da responsabilidade de um banimento para o público é um grande erro.O Problema de Jogar para a TorcidaNão é a primeira vez que Verhey, representando o Pauper Format Panel, faz um conteúdo audiovisual fazendo a pergunta "O que você acha?". Até certo ponto, há virtude "democrática" em questionar o público consumidor e competidores do formato sobre a opinião deles em relação a um tema de debate. O Legacy, por exemplo, teria muito mais cuidado se também existisse um comitê especializado disposto a fazer o mesmo trabalho do PFP.O problema está no quanto o peso do feedback do jogador pode ter em tomadas de decisões. Banimentos devem ser baseados em dados, não em opinião pública, especialmente em um ambiente tão cacofônico quanto as mídias sociais, onde a tendência divisiva de algoritmos tende a criar evidências parciais e tribalização de opiniões com mais frequência. Resulta-se em um grupo que já tem predisposição a querer ver Hawkeye's Bow banido desde antes do lançamento, capaz de fazer mais barulho nas plataformas e comentários de YouTube conforme resultados mais saírem.A tentativa de tornar este processo mais democrático do que em outros formatos também pode falhar porque, em um jogo como Magic, podem existir desencontros com alguns elementos que constituem uma democracia: a noção de que elas não significam a prevalência da opinião da maioria sobre a minoria, e nem a capacidade da minoria de se sobrepor à maioria; a presunção de que não vamos concordar, portanto, precisamos construir acordos e chegar a consensos; e a certeza de que a decisão será tomada pelos representantes da comunidade, e estes podem cometer erros que podem ser corrigidos em ciclos futuros.Em uma live recente onde debatemos sobre proxies com João Gutosvski e Gabriel Neves, usei a analogia de que "Magic é um país que a Wizards of the Coast preside". No contexto, tratava-se de como, uma vez que a figura governante daquele cenário não parece se importar com determinados públicos, como ocorreu com o Brasil a partir do fim da localização em português, este público deixará de se importar com os conjuntos de regras impostos e abrirá espaço para anarquia. Neste caso, a "anarquia" parte dos motivos para o crescimento da comunidade de jogadores pró-proxy tanto no Brasil quanto em outras demografias, incluindo países enfrentando fortes pressões econômicas.Vamos tentar esse raciocínio sob outra perspectiva: se Magic fosse um país e a Wizards of the Coast o presidente, o Pauper e os demais formatos do jogo seriam Estados, cada qual com seu conjunto de regras e fórmulas de gestão. O PFP, ao convidar uma participação ativa da comunidade, sugere o equivalente a um plebiscito. Mas toda opinião pública é formada por sentimentos, percepções cognitivas e necessidades existenciais distintas de determinados grupos perante um assunto, e nem sempre elas representam a melhor rota, e uma maioria pode desejar algo pouco benéfico ao coletivo por experiências individualizadas.O mesmo se aplica para um card game, especialmente em relação a dois aspectos essenciais na regulação do ambiente de jogo: Regras e Banimentos. As duas afetam diretamente a maneira como o jogador percebe o jogo porque alteram o que ele pode ou não fazer durante uma partida. Atualizações de Banidas e Restritas tendem a ser percebidas com viéses mais tendenciosos ou hiperreativos em relação aos fatos, e a naturalização de banimentos recorrentes nos formatos competitivos criou a tendência do público pedir a retirada de qualquer card que lhe seja desagradável.Um plebiscito sobre banir um card virá, inevitavelmente, com evidências anedóticas, baseadas em perspectivas de saúde de Metagame formadas em torno do quão bem colocado o "seu deck" se encontra, criando cognições distorcidas da realidade quando comparado a dados concretos. As mudanças de padrões de consumo também afetam a visão sobre formatos competitivos, com estabilidade sendo vista como detrimento, mas com críticas a qualquer possibilidade de inovação que possa virar uma ameaça; o mesmo jogador que reclama de estarmos em um ambiente de Red Aggro vs. Blue Tempo vs. Affinity há tempo demais também está pedindo banimento da primeira carta de 2026 que pode realmente trazer mudanças substanciais ao ambiente competitivo.O Pauper Format Panel pode ter essa comunicação com as melhores intenções, mas decisões de banimentos não são algo que jogar para a torcida vai atrair os melhores resultados para o ambiente competitivo. Um olhar atento aos resultados, aos dados que apenas a equipe do Magic Online tem acesso, e às nuances do Metagame faz muito mais do que qualquer postagem em mídia social. Cabe aos seus membros assumir essa responsabilidade.O que os resultados apontam até agoraAs evidências que temos, até o momento, são de que Naya Hawkeye é o baralho com maior consistência competitiva com o combo. Ela fez resultados mais frequentes em Ligas e fechou o primeiro Challenge com Marvel Super Heroes com duas cópias no Top 8 (primeiro e sétimo), além de ganhar o segundo Challenge e terminar com nove cópias no Top 32 e também vencer o terceiro Challenge, mas com menos representação: sete cópias.Ela também é a versão mais perigosa do combo. Ataca por três linhas diferentes ao mesclar a base do Naya Gates com os benefícios de looting e Hawkeye na mesma lista, dificultando a abrangência de respostas — Basilisk Gate com qualquer criatura que fique na mesa, Sneaky Snacker com efeitos de Looting para o go wide com voar e Seeker of Skybreak com Hawkeye's Bow e Bitter Reunion para o hit-kill instantâneo. Todas demandam categorias distintas de interação, e talvez o risco na lista esteja no quão eficiente ele se tornou em executar relativamente bem.A variante Temur, inteiramente focada no combo e com Writhing Chrysalis como condição de vitória complementar, chegou ao Top 16 do primeiro Challenge, apostando em Perilous Research e Cryogen Relic para vantagem em cartas e até na inclusão de Blue Elemental Blast no maindeck para proteger o combo. Uma cópia chegou ao Top 32 de dois Challenges.Jund fechou o primeiro Challenge com resultado de 3-3, apostando na combinação de efeitos de sacrifícios com Wirewood Herald para encontrar Seeker of Skybreak. O deck apareceu em apenas dois eventos e ambos terminaram mal, mostrando que a base de "Jund Broodscale" não funciona com a mesma eficácia.Uma versão postou resultados em Ligas utilizando a base de Gruul e a interação entre Bayou Groff e Wirewood Herald para consistência em encontrar Seeker of Skybreak. Mesclar um plano de beatdown com criaturas grandes e baratas e Call Damage Control com Candy Trail para filtrar o topo e encontrar Hawkeye's Bow também merece atenção.Outra variante Gruul fechou com 5-0 em uma Liga, desta vez utilizando o pacote de looting com o novo Vision of Love para reforçar a linha complementar de Chrysalis com Sneaky Snacker.O que temos neste momento é um baralho em ascensão e um Metagame que está tentando compreendê-lo para responder apropriadamente. Naya é de longe a versão mais consistente agora e precisamos estar cientes de que Bitter Reunion também está fazendo muito trabalho em ser a cola para Skybreak funcionar ao lado de Sneaky Snacker, o qual já discutimos como um card que está crescendo rapidamente em presença, estando atrás apenas de Pyroblast entre os cards mais jogados de ambos os eventos. Mas não podemos confundir os crimes de um combo infinito com o debate em torno de Snacker; ambos podem ser prejudiciais para o Pauper à sua maneira, e um ambiente de Hawkeye não parece o ideal para avaliarmos Snacker sob as melhores condições.Com três Challenges e algumas Ligas, há motivos suficientes para manter o sinal de alerta ligado. Hawkeye Combo se provou um definidor de Metagames, e resta considerar, nos próximos dias, se os demais arquétipos conseguem se adaptar, o quanto eles precisam fazer concessões em outras frentes, além de quais estratégias podem se destacar como predadores dessa estratégia. No entanto, quando um deck consegue, além do combo-kill, ter dois ou três planos de jogo complementares, a capacidade de responder a cada um deles sem forçar o "anti-jogo" pode ser severamente comprometida.ConcluindoIsso é tudo por hoje!Em caso de dúvidas, fique à vontade para deixar um comentário!Obrigado pela leitura!
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