Pioneer: O Formato precisa de banimentos em 30 de junho?

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Com pouca adesão competitiva em 2025, é possível que o Pioneer tenha banimentos em 30 de junho? Neste artigo, analisamos a relação entre o Standard e o Pioneer, como o atual Metagame tem se comportado e quais cards podem estar na mira da próxima banlist.

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Revisado porTabata Marques

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Faz algum tempo desde que o Pioneer esteve no centro das discussões nas mídias sociais sobre Magic: The Gathering. Distante dos holofotes pela ausência de eventos competitivos durante 2025, o formato esteve em uma crise onde até a longevidade dele está em dúvida: não fosse pela nomeação recente da mudança do formato Explorer do Magic Arena para Pioneer, seria plausível considerar que a Wizards of the Coast está sequer prestando atenção aos eventos do formato, muito menos ao seu Metagame.

Com o próximo anúncio de Banidas e Restritas marcado para 30 de junho, a maioria da comunidade espera que o Standard passe por grandes mudanças: Monstrous Rage. Up the Beanstalk, Cori-Steel Cutter e This Town Ain’t Big Enough são alguns dos cards mais discutidos em torno de banimentos.

O mesmo, talvez, possa ser mencionado no Pioneer — Red Aggro é o melhor deck do formato hoje e provocou mudanças e adaptações no Metagame como um tudo, e enquanto os Challenges mostram ainda existir espaço para inovação (estamos vendo Orzhov Greasefang crescer, tal como vimos Boros Monument virar um deck na temporada passada), três decks costumam representar quase 50% do Metagame desses eventos: Red Aggro, Izzet Phoenix e Mono Black Midrange.

Teria chegado, portanto, a hora de fazer mudanças no Pioneer? Estaríamos dispostos ou é realmente necessário passar por mudanças radicais no Metagame neste momento? Seria um ponto de partida para revitalizar o formato novamente?

Pioneer, Standard, e a relação crítica do power creep

Como chegamos aqui? Digo, você já imaginou um momento da história em que Mono Red Aggro parece forte demais em qualquer outra situação do Magic competitivo? A última vez que presenciamos qualquer discussão nesse sentido foi durante a era de Goblin Chainwhirler no Standard, onde um card estava basicamente invalidando todas as criaturas X/1 do Metagame — ainda assim, Chainwhirler passou a temporada inteira intocado.

No ano passado, parecia absurdo a ideia de que Mono Red ou Prowess pudessem ser verdadeiramente bons no Pioneer. Durante muitos meses, vivemos uma situação onde Amalia Benavides Aguirre e Vein Ripper basicamente trancaram o Metagame em um cenário polarizado — cada vez mais, ficava evidente que o Pioneer precisava de conserto… de novo: passamos pelo mesmo problema com Karn, the Great Creator, com Thassa’s Oracle, e foi assim sucessivamente desde que o formato nasceu.

A comunidade já teve essa discussão uma dúzia de vezes no passado, mas vale ressaltar: chegamos nesse ponto porque cards novos são gradualmente mais fortes. É o power creep: uma ferramenta natural de todo jogo em que, eventualmente, novos cards mais eficientes saem e substituem cards antigos menos versáteis.

O problema é como esse caso se aplica ao Pioneer: exceto por algumas peças naturalmente fortes demais — Fatal Push, Thoughtseize, Treasure Cruise —, o formato vive no meio-termo entre quando Magic era mais remediado e evitava colocar cards fortes demais em um único set para não criar problemas em formatos eternos, a era de F.I.R.E., que deu à luz a cards como Oko, Thief of Crowns e Teferi, Time Raveler, e a era atual que, apesar de não ter um nome próprio, chamo de “era da eficiência”: tudo tem um ETB, tudo custa menos e deixa algo permanente na mesa, tudo é um power play ou tem uma sinergia absurda com X, Y ou Z.

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Monstrous Rage realmente precisava dar Trample permanente? Sunspine Lynx realmente pode fazer tudo isso e ainda ter um corpo super eficiente para o seu custo? Faz algum sentido Screaming Nemesis ter uma habilidade que afeta o oponente pelo resto da partida?

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Esse caso é o oposto do pacote de camundongos. Sim, eles são incríveis juntos, e sou um dos defensores de que, no Standard, banir Heartfire Hero é uma das soluções para reduzir a velocidade do formato. Mas eles são apenas um conjunto de cartas que funcionam bem juntos, ao invés de serem hiper-eficientes. Qualquer coisa que os quebre está mais próxima de uma relação de causa e efeito (Monstrous Rage com Manifold Mouse) do que um planejamento intencional.

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De alguma maneira, tudo hoje parece um pouco próximo demais da eficiência de cards como Fable of the Mirror-Breaker do que deveria. E o resultado é a constante crescente de decks novos e cards novos entrando no topo do Metagame e/ou fazendo com que staples pré-definidas se tornem obsoletas. Somado com a falta de respostas à altura, entramos em uma situação onde temos ameaças ótimas de 2025 e ainda tentamos respondê-las com Fatal Push, de 2016.

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Existe, entretanto, uma vantagem nessa filosofia: o Pioneer precisa do Standard, e o Standard tecnicamente precisa do Pioneer. Pense nos jogadores de Rakdos/Grixis/Esper Midrange da temporada passada. Além dos banimentos que eles enfrentaram, a maioria dos seus cards caiu com a rotação anterior: Bloodtithe Harvester, Wedding Announcement, The Wandering Emperor, os Triomas… Eles precisaram de um lugar para os seus cards, e o Pioneer foi este lugar — da mesma forma, quem está aproveitando Cori-Steel Cutter hoje e ele será provavelmente banido em 30 de junho, talvez encontre no Pioneer uma solução para os seus decks de Prowess.

O Pioneer é, e precisa ser, o lugar onde os jogadores de Standard podem aproveitar os cards que rotacionam. Isso será ainda mais importante com Universes Beyond, onde um fã de Final Fantasy, por exemplo, pode perder a validade dos seus cards em três anos e migrar para outro formato para aproveitar decks com seus personagens favoritos.

Ter cards mais impactantes aparecendo mais no formato significa, naturalmente, dar mais espaço para esses decks no ambiente competitivo de um formato não-rotativo, mas a consequência é a mesma que vemos no Modern: quando há mais power creep, o formato “rotaciona” de qualquer maneira. Vocês lembram de Bonecrusher Giant? Ou talvez de Knight-Errant of Eos e o Boros Convoke? O que aconteceu com Nykthos, Shrine to Nyx nos últimos meses?

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Apesar disso, existem pilares que permanecem no formato. Izzet Phoenix existe desde que o Pioneer nasceu, Black-Based Midrange muda entre Mono Black ou Rakdos, mas permanece basicamente com a mesma essência, Azorius Control ganha novas ferramentas, mas permanece com Teferi, Hero of Dominaria e ainda é um dos melhores decks, e uma dúzia de outros arquétipos já estabelecidos (Sacrifice, Spirits, Angels, Ensoul) continuam nos Tiers 1.5 apesar do acréscimo de novas ferramentas — mesmo com o power creep, o Pioneer continua relativamente estável.

E quando estável significa entediante?

A essa altura, o Pioneer está um tanto esquecido pelos criadores de conteúdo e jogadores profissionais. No passado, existiam críticas constantes de como o formato deveria até ser trocado pelo Modern nos RCQs (como aconteceu em 2025) porque ele era “parado e entediante demais”.

As reclamações giravam em torno da época de Vein Ripper e Abzan Amalia, mas também ocorriam quando Nykthos Ramp era o melhor deck, ou quando Rakdos Midrange estava no topo, ou com Izzet Phoenix — o padrão de consumo de Magic e card games mudou para “sempre queremos algo novo”, o que também significa “sempre queremos Metagames inovadores”, e não se pode ter inovação com um formato estagnado.

É comum da natureza humana justificar determinadas coisas por fatores externos. Somos condicionados a pensar que todas as nossas glórias são por mérito, e os nossos percalços são responsabilidade de algo maior que não envolve especificamente as nossas decisões — e, sim, isso envolve o Magic também.

Imagem: Magic.gg
Imagem: Magic.gg

Considere, por exemplo, o Metagame do Pro Tour Final Fantasy. Estatisticamente falando, é muito claro que Izzet Prowess é o melhor deck do Standard — consequentemente, mais pessoas jogam com ele. Com mais pessoas jogando com ele, menos diversidade de arquétipo temos no formato porque, afinal, se queremos vencer, pegamos o deck que vence.

Agora, aplique essa lógica para qualquer formato: exceto por decisões baseadas em estilo de jogo ou fatores financeiros, por que você iria para um torneio com algo que não seja aquilo que vence mais? E com uma amostragem tão baixa quando comparado com outros formatos como o Pioneer — ele é um dos formatos menos jogados do Magic Arena, e com a ausência de RCQs, não há motivos para explorar muito dele —, o resultado é ainda mais expressivo: quem quer ganhar uns pontos nos Challenges vai apenas escolher o melhor deck e seguir em frente.

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E ainda assim, o Pioneer tem muito espaço para inovação. Recentemente, listas de Greasefang, Okiba Boss vem utilizado Monument to Endurance para uma nova versão Orzhov. Mono Black Midrange adotou Cecil, Dark Knight e Dark Confidant para uma variante mais eficiente de mana, Mardu Humans tem feito 5-0 nas Ligas utilizando diversas lendas de Final Fantasy, e até os arquétipos mais bem-estabelecidos têm lentamente se transformado.

Não é que o formato esteja estático e parado no mesmo lugar. Faltam motivos para inovar nele quando não há cenário competitivo para encorajar jogadores a olharem para fora da caixinha. Pensarem em maneiras inovadoras de usarem cards novos e antigos, e mesmo nesses casos, é natural que alguns arquétipos mantenham o status quo, para o bem ou para o mal.

Banimentos: Discutindo cards individuais

O primeiro ponto a considerar é se o formato precisa de um banimento agora. E a resposta será bem dividida pela comunidade, dependendo de para quem você pergunta: até Thoughtseize — a principal ferramenta reguladora do formato — já teve pedidos de banimentos nas mídias sociais.

Se olharmos para os números, há três arquétipos apresentando possíveis sinais alarmantes: Mono Red Aggro e os sempre presentes Izzet Phoenix e Black Midrange (hoje Mono Black, se não fosse por Sunspine Lynx, seria Rakdos). Tal qual diversas mudanças em formatos não-rotativos, se tirarmos uma peça, reforçamos outras.

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O melhor exemplo é Sunspine Lynx. Ele limitou a possibilidade de bases de mana de duas ou mais cores irrestritas no Pioneer e virou o mais próximo que já tivemos de Blood Moon ou Price of Progress no formato — ferramentas que, por natureza, jogadores não estavam acostumados a lidar. Nasceu assim o Mono Black Midrange, a ascensão do Selesnya Angels, e até o Spirits reapareceu como um meio de combater essas estratégias.

Banir Sunspine Lynx significa trazer de volta o Rakdos Demons para o topo do formato. Talvez, decks como Zur Overlords tenham mais sucesso, mas o principal beneficiário dessa intervenção é o arquétipo que já é naturalmente bom no formato, e apenas voltaria para sua versão mais eficaz de duas cores.

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Monstrous Rage, tal qual no Standard, pune bloqueios e beneficia demais cards com Prowess, o pacote de camundongos, e agora se transforma em um Dark Ritual melhorado com Vivi Ornitier, que ainda não fez o suficiente no Pioneer fora do Lotus Combo. Retirar ele significa reduzir a velocidade do formato e abrir mais janelas para potenciais bloqueios e trocas no combate — em termos práticos, você habilita outros Aggros porque o Mono Red deixa de ser àquele que joga por baixo dos que jogam por baixo.

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Entra ano, sai ano, e sempre voltamos a falar de Treasure Cruise. A mágica é banida dos demais formatos em que ela é válida por um motivo, mas permanece no Pioneer como um “atrativo” do formato. Esse atrativo tem alguns preços a considerar nas concessões de deckbuilding, mas qualquer arquétipo de Turbo Xerox se beneficia dele.

Este nos leva a um caso interessante:

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Seria Arclight Phoenix bom demais para o Pioneer? Quando o formato nasceu, o arquétipo era baseado somente neste card e tinha Crackling Drake como ameaça alternativa. Agora, temos Cori-Steel Cutter para complementar este plano de jogo, e antes dele, a interação de Proft’s Eidetic Memory com qualquer criatura já criava um plano B sólido para o arquétipo.

O maior problema de Arclight Phoenix é que eles são difíceis de lidar sem as ferramentas certas e jogam bem demais em torno do hate, enquanto possuem o Sideboard mais abrangente do formato. Ele faz muita coisa para um deck só, e talvez tirar a linha principal de ameaças recorrentes seja um caminho para criar outras linhas que sejam respondidas com mais facilidade.

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Essa linha, entretanto, envolveria Cori-Steel Cutter, e este pode ser um card tão problemático quanto Phoenix em criar bolas-de-neve contra o oponente e garantir sempre uma ameaça na mesa. Na prática, Cori-Steel Cutter seria tão danoso ou mais do que Arclight Phoenix em um deck dedicado, e como estamos vendo no Standard, ele é bem difícil de responder e também ataca de muitas frentes com facilidade.

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Temos também os elefantes na sala que não comentamos mais sobre: Unholy Annex com Mutavault é eficiente demais em extrair valor e drenar a vida do oponente por um custo baixo, e existe pouco ou nenhum esforço em prolongar a partida ao ponto onde a ficha de demônio ganha o jogo. Uma Phyrexian Arena com benefícios faz um pouco demais, e serviu para solidificar ainda mais um deck que já era bom antes de Duskmourn e já estava no topo do formato.

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Por fim, Fable of the Mirror-Breaker permanece como um dos cards mais fortes individualmente do Pioneer. Ele faz muita coisa pelo seu custo, e o único motivo para ele estar em baixa hoje é que os decks de duas ou mais cores que se beneficiavam dele são apresados pelos Red Aggro e Sunspine Lynx.

O que pode ser banido em 30 de junho?

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Se o plano é mexer um pouco no Pioneer e apenas dar um pouco mais de diversidade ao Metagame, você quer tirar Monstrous Rage. Muitos arquétipos são invalidados pela capacidade dos Red Aggro de jogar por baixo demais, inclusive de outros Aggros. E enquanto ele permanecer com essa eficácia, os arquétipos que, tecnicamente, poderiam se apresar dos Midranges também são incapazes de segurar o seu clock.

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Outra possibilidade é de mudar completamente o Metagame do Pioneer, aproveitando sua baixa adesão para fazer mudanças cirúrgicas enquanto as pessoas não estão comprando muitos cards para jogar nas mesas de torneios.

Nesse caso, queremos afetar os principais decks para abrir espaço para novas estratégias, e existem algumas linhas possíveis nesse cenário: Monstrous Rage sairia de qualquer maneira porque Sunspine Lynx tem um papel importante em segurar bases de mana gananciosas, e quatro manas é tempo o suficiente para se ter uma resposta decente contra ele.

Unholy Annex, como comentamos, faz muito pelo seu custo e interage bem demais Mutavault. Retirar Mutavault é contraintuitivo porque prejudica diversos arquétipos baseados em tipos de criatura por conta de um card, então seria mais fácil lidar com o encantamento-problema e deixar os Midranges se redefinirem com Dark Confidant e similares.

O caso do Izzet Phoenix é complexo. A essa altura, estaria disposto até a considerar um banimento de Arclight Phoenix, mas Cori-Steel Cutter é um card mais universalmente jogado em outros decks e eficiente demais para o seu custo. Mesmo que tirássemos Phoenix, bastaria transformá-lo em um deck de Cutter e produzir resultados parecidos.

Entretanto, só retirar Cori-Steel significaria fazer o Phoenix voltar ao que era e permanecer no topo do Metagame, talvez como um deck ainda muito restritivo. Treasure Cruise ainda é um dos melhores cards do Pioneer e temos ferramentas baratas em excesso para extrair o máximo dele, então faria sentido retirar um dos meios do arquétipo recuperar sua mão e ainda interagir com Proft’s Eidetic Memory — uma vantagem que Dig Through Time não oferece.

Concluindo

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