Magic: the Gathering

Competitivo

Analisando os últimos unbans do Commander!

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No artigo de hoje, iremos avaliar as mudanças na banlist do Commander de forma bem didática, exemplificando como usar os cards desbanidos e falando um pouco sobre o que mais foi discutido pelo Painel de Commander!

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revisado por Tabata Marques

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Normalmente, quando trago artigos de Commander por aqui estamos falando sempre de algo mais divertido, visando o jogo como a parte mais social e menos competitiva do Magic. Artigos que falam sobre balanceamento de formatos e banlists normalmente ficam lá pela página de One Piece TCG, nas quais eu comento esse jogo com um foco maior nesse tipo de coisa.

Contudo, hoje iremos discutir a atualização nas banlists do EDH, atualizada no dia 9 de fevereiro de 2026, assinada por Gavin Verhey em nome do Commander Format Panel. E, diferente de janelas em que a comunidade costuma entrar na semana esperando “o ban do momento”, o texto veio com uma proposta inesperada: dois unbans e uma conversa bem direta sobre o porquê deles.

Neste artigo, iremos explicar o que mudou e como isso afeta sua diversão e o valor bruto da minha coleção de Kismet.

As mudanças

Falando de um jeito bem rápido e sucinto para elaborar depois, as mudanças são dois desbanimentos: Biorhythm e Lutri, the Spellchaser.

A vigência do unban é imediata, então, caso você vá jogar no dia de hoje, pode fazer isso sem medo da polícia do Commander.

Biorhythm

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Biorhythm é um feitiço de 8 manas cujo texto diz que o total de vida de cada jogador se torna o número de criaturas que ele controla. E, sim, isso inclui zerar a vida de um jogador com zero criaturas. Normalmente, esse card não faz tanto efeito em formatos de um contra um, uma vez que é uma mágica com alto custo de mana que vale mais a pena ser substituída por um finisher mais aceitável do que tentar usá-la para diminuir a vida do oponente para um número pequeno, ou zero de uma vez. Ela também é um alvo muito fácil para anulações.

A diferença é que o painel parece ter colocado essa carta no balaio das mágicas caras que encerram partidas, mas que dependem de contexto e preparação de mesa para serem realmente efetivas. Biorhythm é o tipo de card que muitas vezes fica morta na mão, às vezes exige que você gaste um turno inteiro para resolver, e que hoje em dia consegue ser respondido com mais facilidade, como com criação de tokens em instant speed. O card verde continua tendo potencial de terminar o jogo, mas não é um fim inevitável igual poderia ser antes, e muito menos um card obrigatório em todos os decks da cor verde, o que é mais um motivo para justificar seu desbanimento.

Eu vejo Biorhythm funcionando mais como finisher situacional do que como o pilar do deck. Ela precisa de todo um setup que vai premiar quem já está na frente no board e punir quem ficou sem presença de mesa depois de trocas ou wipes. O card foi tirado da banlist e colocado diretamente como Game Changer, a marcando como carta digna de atenção no formato, limitando um pouco o nível de jogo que irá ter acesso a ele. Mostrando que o formato hoje comporta esse tipo de finisher não repetitivo e evitável, com possibilidades de resposta.

Lutri, the Spellchaser

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E, finalmente, Lutri, the Spellchaser foi desbanida. A lontra foi colocada na lista de proibições de forma preventiva, no mesmo dia que ocorreu seu anúncio de spoiler lá em 2020 em Ikoria: Lair of Behemoths. A explicação disso não é nenhum mistério, uma vez que o card possui a habilidade Companion com a condição de que o deck em que ela exerce essa posição tem que ser Singleton, tornaria a lontra uma adição instantânea para qualquer deck que comporte suas cores, sendo basicamente uma carta número 101. Contudo, o verdadeiro mistério sempre foi: “Por que não banir ela apenas como Companion?” Assim, no dia de hoje, o card foi desbanido justamente com essa restrição, só demorou quase seis anos.

Assim, podemos finalmente falar sobre o papel de Lutri em um deck, um card que gera valor copiando mágicas e é muito bem-vindo em engines como a do meu finado Kalamax, the Stormsire. A lontra interage na pilha em velocidade instantânea e consegue dobrar o efeito de mágicas no momento certo, mesmo que empoleirada na zona de comando seja capaz de jogadas mais telegrafadas, previsíveis aos oponentes.

Lutri, the Spellchaser ainda compete com várias opções de cópia de mágicas em decks spellslinger, o que não o faz ser uma opção automática para decks com azul e vermelho, e sempre pesa a favor de um unban. O impacto real aqui é que agora decks com essas cores não ganham um Companion óbvio, que ia contra a filosofia de alta customização de builds do EDH, e sim a ideia de que um amigo que se atrasou pra festa finalmente chegou.

Pro pessoal mais Vorthos, finalmente o deck de lontras é mais viável com esse tipo de criatura tendo uma opção a mais e bem coesa com as opções Izzet que temos em Bloomburrow.

O que ficou de fora?

No artigo de banlist oficial do site, foram citadas algumas cartas em especial que foram ponderadas ostensivamente para unban e o porquê delas ainda não entraram no anúncio desta vez.

O anúncio oficial cita quatro cartas em especial:

Sundering Titan

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O Painel reconhece que o formato mudou desde a época em que o plano era blinkar o Titã repetidamente e destruir manabases. O artigo até sugere que punir bases cheias de triomas e terrenos duais com tipo pode parecer “heroico” em alguns contextos. Mas, para a surpresa de ninguém, por mais que destruir terrenos de uma base melhor construída tenha esse ar tentador, ainda estamos falando da destruição de terrenos, o crime número um entre os jogadores do formato.

Além disso, o titã é incolor, podendo entrar facilmente em qualquer deck como uma opção bem tentadora, o que faria essa estratégia estar muito mais à mão dos jogadores...

Iona, Shield of Emeria

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Aqui, temos um problema muito claro. Na mesa certa, a Iona pode simplesmente tirar um jogador da partida, especialmente e principalmente um jogador monocolor. Além disso, Iona tem altas chances de travar um comandante na zona de comando. E ainda há o lembrete do combo com Painter's Servant que impediria todos os oponentes de conjurar mágicas. O artigo oficial do Painel diz que esse unban quase ocorreu, mas decidiram buscar feedback antes.

Griselbrand

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O Painel descreve esse card como um alvo premium de reanimação que abusa dos 40 de vida para comprar uma quantidade absurda do deck e frequentemente vencer na hora através da procura de combos e afins, razão pela qual ela foi banida inicialmente. Ao mesmo tempo, é um card que um determinado secto quer utilizar e o comitê diz que realmente queria poder fazer algo para os jogadores terem a chance de usar o card.

Jeweled Lotus

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Gavin Verhey, no artigo original, menciona explicitamente que o comitê discutiu sobre Jeweled Lotus, mas decidiram não desbanir ela de forma bem curta e rápida. Não tem muito floreio, é um “Sim, discutimos e não, não agora”. Não é hoje que o meu Sephiroth, Fabled SOLDIER fica mais forte.

Sem Banimentos

No trecho de “No Bans”, o texto deixa claro que Thassa’s Oracle e Rhystic Study foram monitoradas e alvo de pedidos de feedback, mas que não houve volume de reclamações o suficiente para justificar qualquer ação agora.

Rhystic Study

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Rhystic Study era a aposta principal do bingo dos jogadores quando o assunto eram cards banidos nessa lista. Ela é descrita como muito poderosa e incômoda, principalmente pela famosa dúvida “Vai pagar Magic Symbol 1?” toda vez que sua habilidade é desencadeada, o que é uma frase hilária entre os jogadores que usam o card, mas um saco para jogadores que a enfrentam, uma vez que ela atrasa um pouco o ritmo do jogo. Pessoalmente, estou no primeiro time.

Sobre o possível ban, deixaram claro que só vão mexer nela se aparecerem sinais bem mais fortes e uma virada clara de opinião pública, pendendo a opinião do card mais para o negativo. Até lá, seguem… Estudando… O card de perto e pedindo retorno da comunidade.

Thassa’s Oracle

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No caso de Thassa’s Oracle, a avaliação é que seu uso fica concentrado nos níveis mais altos de poder, com a turminha do cEDH e, nesse lado mais competitivo, o card parece ser majoritariamente “bem aceito”. Assim, o Painel trata o tema como quase encerrado por enquanto, ainda que admita que isso pode mudar se o cenário mudar e o card começar a se disseminar em níveis casuais a ponto de se tornar tóxico e uniformizar o formato.

Considerações finais

Em geral, creio que essas mudanças na lista de banidas foram positivas. Por um lado, tivemos unbans muito bem-vindos, com Biorhythm permitindo o nascimento de uma nova estratégia e, principalmente, Lutri, the Spellchaser sendo permitido de ser usado finalmente. Sempre estranhei a não existência de uma exclusão da lontra apenas como Companion, e o artigo até fala um pouco disso, com medo de criar muitas exceções pontuais, com cards que são válidos em várias possibilidades, exceto X ou Y.

Além disso, acompanhar a opinião pública para certos cards também é bem acertado e pode render bons frutos no futuro.

Mas e aí? Vão pagar Magic Symbol 1?