Magic: the Gathering

Review

Análise Vintage: Eternal Weekend North America Vintage

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Na semana passada, nós analisamos um dos maiores torneios Legacy do mundo, o Eternal Weekend. Mas nesse mesmo final de semana, tivemos também um enorme torneio Vintage! Vamos dar um mergulho no formato mais poderoso de Magic e ver o que acontece quando o poder é liberado!

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revisado por Tabata Marques

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Apresentação

Boa tarde meus amigos do… Vintage! No artigo da semana passada, a gente revisou a etapa Legacy do Eternal Weekend North America com seus 944 jogadores, mas não dá para deixar passar batido que tivemos 420 jogadores na etapa Vintage – e sem proxies!

Embora a versão física do formato tenha, até por questões financeiras, um mercado mais limitado, o formato é bastante popular no Magic Online e, assim como no Legacy, observar os melhores jogadores do mundo de um formato em um ambiente tão grande só serve para agregar ao entendimento do formato.

O formato mais caro do mundo

É claro que é preciso ressaltar que a questão de disponibilidade de cartas é um enorme diferencial entre o formato Vintage físico e sua contraparte online – o torneio ao vivo tem uma quantidade maior de decks de cemitério baseados em Bazaar of Baghdad, já que são decks que demandam menos das cartas de valor exorbitante além da sua carta-chave, o que dá para ser considerado como um deck “budget” dentro dos limites do formato onde algumas cartas custam o valor de um carro ou até uma casa.

Há também jogadores que tem interesse no formato mas não a disponibilidade de adquirir ou mesmo de conseguir emprestadas essas cartas de maior valor e optam por jogar com decks que chamamos de Powerless – decks sem as Power 9 (Black Lotus, Ancestral Recall, Time Walk, Timetwister e as 5 Moxes) ou outras cartas-pilares do formato como Bazaar of Baghdad ou Mishra’s Workshop.

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Aqui temos tanto versões enfraquecidas de decks tradicionais do formato quanto listas inovadoras que buscam compensar a falta de explosão oferecida pelas cartas de Power atacando o formato por algum ângulo pelo qual a maioria dos decks não espera. Para alguém de fora do círculo do Vintage, pode parecer uma proposta irreal, mas a verdade é que tivemos um deck Powerless no top 8 (além de um no top 16) dessa edição e outro na edição Europeia de 2024... então, é um caminho com viabilidade, sim.

Quanto ao formato em si, o Vintage tem um Metagame extremamente variado com presença em boas quantidades de decks Aggro, Control e Combo (é bom ressaltar que temos outros eixos no formato que saem um pouco desse espectro, como Graveyard, Midrange e Prison).

Existe um pensamento de quem vem de fora de que o Vintage não passa de jogos de Combo de turno 1, mas essa percepção não poderia estar mais errada. Conforme veremos adiante, o torneio foi um retrato dessa variedade.

Vintage: o Metagame do Final de Semana

Os dados fornecidos pela Card Titan, a organizadora do evento, demonstram o que dissemos acima: um Meta bem variado, certamente bem mais abrangente do que observamos no Legacy.

Paradoxical Outcome (Combo) – 12,4%

Esper Lurrus (Control) – 11,2%

Monowhite Initiative (Aggro) – 10,5%

Dredge (Graveyard) – 8,6%

Sultai Lurrus (Midrange) – 8,3%

Dimir Lurrus (Control) – 6,4%

Oath of Druids (Control) – 5,9%

Monoblack Scam (Aggro) – 4,3%

Jeweled Shops (Combo) – 4,0%

Monored Prison (Prison) – 3,8%

Sphere Shops (Prison) – 3,3%

Eu confesso que essa é uma distribuição de arquétipos que eu considero maravilhosa, uma verdadeira distribuição de várias estratégias, incluindo aí 2 arquétipos Powerless (Black Scam e Red Prison) – sem levar em conta que também havia uma boa parcela dos decks de Initiative jogando dessa maneira também.

Da mesma maneira que fiz com o Legacy, separei também os arquétipos do Top 64 para que a gente possa analisar quem ganhou e quem perdeu em relação aos números iniciais:

Paradoxical Outcome (Combo) – 17,2%

Esper Lurrus (Control) – 14,1%

Dimir Lurrus (Control) – 14,1%

Monowhite Initiative (Aggro) – 10,9%

Dredge (Graveyard) – 7,8%

Jeweled Shops (Combo) – 7,8%

Oath of Druids (Control) – 6,2%

Monoblack Scam (Aggro) – 3,1%

Sphere Shops (Prison) – 3,1%

Sultai Lurrus (Midrange) – 3,1%

Grixis Lurrus (Control) – 3,1%

Goblins (Aggro) – 1,6%

Azorius Lurrus (Midrange) – 1,6%

Esper Tinker (Combo) – 1,6%

Doomsday (Combo)

Os grandes vencedores, dentre os decks que estavam listados na primeira tabela, claramente foram Dimir Lurrus (+7,7%), Paradoxical Outcome (+4,8%) e Jeweled Shops (+3,8%), embora o Esper também tenha tido um ganho significativo (+2,9%). Já o Sultai Lurrus afundou impressionantes 5,2%. Os demais arquétipos tiveram variações menos expressivas, mantendo números bem semelhantes aos iniciais.

Análise de Winrate

Assim como eu disse na análise do Legacy, o grande volume de dados de um torneio desse tamanho nos dá acesso a uma informação mais difícil de se obter, que são os valores de Winrate. Os índices gerais de Winrate para os 11 decks mais populares foram os seguintes (excluindo-se mirror matches):

Dimir Lurrus (Control) – 54,74%

Esper Lurrus (Control) – 51,91%

Paradoxical Outcome (Combo) – 51,54%

Jeweled Shops (Combo) – 51,23%

Sultai Lurrus (Midrange) – 50,45%

Oath of Druids (Control) – 50,05%

Monowhite Initiative (Aggro) – 50,01%

Sphere Shops (Prison) – 49,67%

Dredge (Graveyard) – 48,55%

Monored Prison (Prison) – 43,65%

Monoblack Scam (Aggro) – 42,38%

O que me chamou a atenção foi que, com exceção de 3 arquétipos, há um enorme equilíbrio entre os principais decks, pois é normal considerar que qualquer arquétipo entre uma taxa de vitória entre 48% e 52% é bastante jogável, pois estão dentro de uma variância normal bem capaz de ser suprida pela própria habilidade e conhecimento do jogador. Dessa maneira, temos um ambiente bem equilibrado também nesse aspecto.

Quanto aos 3 pontos fora dessa curva, vamos primeiro falar sobre os dois mais abaixo. Por se tratarem de decks Powerless, já era normal se esperar que suas taxas de vitórias fossem realmente bem mais baixas, portanto esses valores não são algo que joguem contra eles, é apenas a realidade de duelar com facas em uma briga de pistolas: você pode até conseguir vencer, mas já entra na desvantagem. Se você estiver num dia bom, você pode ter um bom resultado, mas a tendência é que a média geral seja mais baixa mesmo.

Já o Dimir Lurrus, que já havia sido o grande vencedor na taxa de conversão para o top 64, se mostrou a melhor versão do Lurrus Control, pois a base de mana mais estável acabou levando a vantagem sobre os ganhos que a terceira cor adiciona.

O Top 8

Novamente, em contraste direto com a etapa Legacy, dominada por 2 arquétipos, o top 8 do Vintage apresentou impressionantes 8 decks diferentes, ainda que tanto o Esper quanto o Dimir Lurrus sejam bem parecidos, com direito a um surpreendente deck Powerless, que comentaremos mais abaixo.

Campeão

O Monowhite Initiative carrega o bastão de ser o principal deck Aggro do formato e subiu um degrau acima no nível de competitividade com a chegada de Clarion Conqueror: Null Rod já é uma carta que faz parte do Metagame, uma versão que bate, pode ser protegida por Cavern of Souls, também trava Psychic Frog e Tezzeret, Cruel Captain era tudo o que o deck queria.

O campeão Jeremy Henry jogou com uma lista bem padrão, apenas optando por abrir mão de 1 Seasoned Dungeoneer e 1 Void Mirror para ter acesso a 2 March of Otherworldly Light.

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Vice-Campeão

Já o segundo colocado, Dave Kaplan, pilotou o que, como pudemos observar acima, é o arquétipo mais bem-sucedido do campeonato, Dimir Lurrus.

Acredito que a escolha mais interessante da sua lista é a inclusão da poderosa porém arriscada Demonic Consultation. Quem nunca precisou fazer uma Consultation para encontrar uma carta com uma única cópia no deck, jamais sentiu emoção de verdade!

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Top 4

No top 4, tivemos em terceiro lugar Chad Uzzell com a ameaça vinda do túmulo: Dredge. O Dredge do Vintage joga um jogo totalmente diferente daquilo que conhecemos como Magic – o objetivo é encontrar Bazaar of Baghdad no turno a todo custo e começar a trituração do seu deck. A lista aqui não tem nada fora das listas padrão.

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Completando o Top 4, Max Gilmore com o Sultai Lurrus com o estandarte do Midrange. O deck consegue jogar tanto os planos de agressão como controle e ainda tem Collector Ouphe como um elemento de Prison. Uma carta interessante que passou a jogar no arquétipo é Kishla Skimmer, que joga muito bem tanto com Deathrite Shaman quanto com Psychic Frog.

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Top 8

Abrindo o Top 8, temos a grande surpresa do torneio: o Monoblack Scam do jogador Mbatista, totalmente sem a presença de cartas de Power 9, mas turbinado por Dark Ritual e pela combinação letal de Grief + Reanimate.

O deck tem uma quantidade grande de disrupção e cartas bem difíceis de serem respondidas pelas opções mais comuns do formato: já viu o que um Fatal Push faz contra um Troll of Khazad-dûm?

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Na sequência, Greg Mitchell foi o representante do Esper Lurrus no top 8. Além dos suspeitos de sempre, as cartas que chamam a atenção na sua lista são as inclusões marotas de uma cada de Stony Silence, Dress Down, Lavinia, Azorius Renegade, Snapcaster Mage e Mystical Dispute.

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Fazendo uso de Tezzeret, Cruel Captain e a carta que dá nome ao deck, Glaring Fleshraker, o Raker Shop do jogador andrewslafreniere é o herdeiro dos decks Aggro que fazem uso de Mishra’s Workshop, uma longa lista de decks que sempre foram uma parte importante do Vintage.

Além de poder atropelar o oponente via agressão, ele também tem a alternativa de combinar o Glaring Fleshraker com 2 Sensei’s Divining Top para matar o oponente de uma só vez – você pode usar a habilidade de comprar com 1 Top e colocá-lo no topo do deck, fazer o segundo com o Raker na mesa, que gera 1 Eldrazi Spawn e drena 1 de vida do oponente. Aí é só sacrificar o Token, gerar 1 mana, comprar o primeiro Top com o segundo, repetir isso infinitamente, fim.

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E fechando finalmente o top 8, se acima tivemos o herdeiro do lado Aggro da Workshop, a lista do Stefan Vasek é a versão 2025 do bom e velho Stax – o Sphere Shops é o conceito de Prison no seu estado mais puro, um torniquete que busca impedir o oponente de jogar qualquer jogo através de diversos artefatos que atrapalham todo e qualquer desenvolvimento de jogo.

Eventualmente, alguma das suas Criaturas Artefato vai furar o bloqueio e carregar o jogo.

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Conclusão

Embora só jogue há pouco tempo, pelo Magic Online, eu acompanho o Vintage desde os meados dos anos 2000, quando o formato criou um cenário competitivo. Poder acompanhar o formato no seu mais alto nível de competitividade é uma oportunidade maravilhosa.

Soma-se isso a um formato dinâmico com várias possibilidades de estratégia, e temos uma receita vencedora. É isso por hoje, e eu só posso recomendar a quem puder que acompanhe a etapa europeia no final de Novembro e a etapa japonesa no meio de Dezembro.

Um abraço com poder, espero que tenham gostado e até a próxima!