Apresentação
Olá, meus amigos do Legacy! Foi um longo período de férias desbravando a Patagônia pela terceira vez (a jornada tá toda lá no Twitter, para quem se interessar pela região).
Estou de volta para falar sobre o Legacy. Mas antes de entrar no assunto, eu gostaria de deixar aqui as minhas sinceras condolências pelo falecimento do gigantesco Kai Budde, um dos (na minha opinião, o maior) maiores jogadores da história do jogo. Kai já vinha há algum tempo lutando contra um câncer e foi homenageado pela Wizards, que deu o seu nome ao prêmio de jogador do ano. Na época, eu escrevi a respeito nesse artigo: [link]{https://mtg.cardsrealm.com/pt-br/articles/a-lenda-de-kai-budde-o-jogador-do-ano-e-seus-motivos}. Descanse em paz, Kai Budde. Você é uma lenda e uma inspiração.
Voltando ao nosso assunto: por estar ausente durante o lançamento, acabei não fazendo a nossa tradicional análise de Lorwyn Eclipsed. Para reparar esse lapso, eu vou fazer uma revisão das cartas da edição que, de fato, estão impactando o nosso formato!
Hexing Squelcher

De longe, esse Goblin é a carta mais influente de Lorwyn a mostrar as caras no Legacy. Um caso incomum de um Hatebear (criaturas, geralmente 2/2 por 2 manas que inviabilizam certos ângulos de jogo) não-branco, Squelcher encontrou lar em várias estratégias diferentes. Embora o seu efeito não seja novo, encontrado em cartas como Vexing Shusher e, mais recentemente, Spider-Punk, ele nunca veio de maneira tão eficiente. Ao contrário do Shusher, ele é muito mais fácil de invocar e não demanda mana para proteger as suas mágicas; e, ao contrário do Punk, não é Lendário e não pode ser anulado. De quebra, a sua habilidade Ward acumula com cópias extras e é relevante para decks agressivos – pagar 2 de vida não é um custo irrelevante quando seu total de Pontos de Vida está sendo pressionado.
Como sua habilidade global afeta basicamente todos os decks Azuis, uma parcela muito significativa do formato, há bastante interesse em contratar seus serviços, tanto em decks agressivos quanto em decks de Combo. Vamos ver alguns desses arquétipos que recrutaram Hexing Squelcher.
Um dos decks mais tradicionais do Legacy, o Red Stompy vinha em uma tendência descendente no Metagame pós-banimento, nada feliz em ver a ascensão dos decks de Show and Tell. Recentemente, essa trajetória se interrompeu e o deck voltou a postar números relevantes. A adoção cada vez mais frequente de Hexing Squelcher nas listas ajuda a explicar essa mudança de trajetória. Embora o custo de 2 manas do Goblin não seja o mais eficiente para se aliar às Sol Lands (Ancient Tomb e City of Traitors), ele ainda é uma jogada de turno 1 com Chrome Mox ou Simian Spirit Guide. Uma vez em campo, ele torna muito mais fácil encaixar cartas relevantes como The One Ring, Chalice of the Void ou Fable of the Mirror-breaker.
Como o deck tem voltado aos holofotes recentemente, as listas ainda estão buscando refinamento, com dúvidas sobre usar ou não Urza’s Saga, a quantidade de efeitos de Moon (Blood Moon e Magus of the Moon), uso de ameaças alternativas como Pyrogoyf ou Screaming Nemesis e até mesmo a adoção ou não de Hexing Squelcher.
Indo para um espectro totalmente oposto, Hexing Squelcher também interessa a decks de Combo, em particular listas de Storm. Uma das vantagens da adoção do Squelcher para proteger suas cartas-chave contra anulações é o fato de ele ser uma Criatura, e geralmente remoção de Criaturas não é o tipo de carta que os decks com anulações querem manter contra esse arquétipo.
O Boros Energy é outro deck que está com bons números no formato e onde Hexing Squelcher se encaixa muito bem. Não só ele aumenta a redundância de Voice of Victory em ignorar as interações do oponente, mas o Ward que ele concede às suas criaturas aumenta muito a pressão que o deck já exerce no oponente.
Um deck interessante que identifiquei foi uma lista híbrida de Burn com Goblins. Ver Goblin Grenade em 2026 faz o Eltinho que começou a jogar com isso em 1995 bem feliz. De qualquer maneira, esse deck tem o potencial para zerar os pontos de vida do oponente bem rapidamente e definitivamente o oponente não quer pagar os custos de Ward contra ele.
Moonshadow

Moonshadow é a mais recente adição ao arsenal de criaturas Pretas de 1 mana com potencial de jogo no Legacy, das quais fazem parte Nethergoyf, Death’s Shadow e Stalactite Stalker. Moonshadow consegue crescer bem rápido via Fetch Lands, Wasteland e Mishra’s Bauble.
A presença de Moonshadow tem dado aos jogadores de Monoblack, um deck budget mas que perdeu sua viabilidade no formato após o banimento de Troll of Khazad-dûm, um novo fôlego. É bom lembrar que Moonshadow também cresce quando você cicla Street Wraith.
Por que usar 1 Shadow se você pode usar 2? Nós estávamos acostumados a ver Death’s Shadow na versão Dimir, mas eis que Moonshadow oferece bastante redundância para que o deck possa jogar com uma cor só!
Dimir Tempo é o deck mais popular pós-banimento e alguns jogadores têm testado Moonshadow no lugar de Nethergoyf. O potencial de crescimento é reduzido em relação às listas acima, mas, por outro lado, ela não é afetada por efeitos que ataquem o cemitério ou que interfiram no Delve do Murktide Regent.
Formidable Speaker

Tutores são uma mercadoria um tanto quanto restrita no Legacy, especialmente quando colocam as cartas diretamente na sua mão. Formidable Speaker oferece não apenas a capacidade de encontrar a carta certa em decks que já têm interesse nessa possibilidade, mas também tem uma habilidade ativada com muitos usos.
Cradle Control parece ser o lar natural para o Speaker. Ele ajuda a se desfazer de cartas mortas para achar mais gás, e sua habilidade é bastante útil com Gaea’s Cradle e Knight of the Reliquary.
Essa lista chamou bastante a minha atenção ao juntar 2 Combos em um deck só, tendo Formidable Speaker como carta em comum para os dois planos. Um plano é o bom e velho Show and Tell para Omniscience. Daí é só fazer o Speaker para Emrakul, the Aeons Torn e partir para o abraço. O outro plano é fazer Aluren, usar o Speaker de graça para encontrar Acererak the Archlich e se aventurar na masmorra Lost Mine of Phandelver até drenar todos os pontos de vida do oponente.
Vibrance

O deck que achou um espaço para Vibrance foi o Lands, onde ela é tanto um cosplay de Sylvan Scrying quanto uma resposta para Magus of the Moon.
Wistfulness

Esse Elemental Encarnação é bastante versátil, ciclando pelo seu deck ou oferecendo remoção para os inúmeros Artefatos/Encantamentos problemáticos do formato. E, eventualmente, pagando o custo alternativo de Force of Will.
Bant Beans é um deck com interesse em uma carta de 5 manas, mas que custa apenas 2. Wistfulness oferece resposta a coisas como Urza’s Saga ou Chalice of the Void, combustível para escapar Uro, Titan of Nature’s Wrath e cartas extras com Up the Beanstalk.
Abundant Countryside

Countryside não é apenas um upgrade substancial sobre Secluded Courtyard ou Unclaimed Territory como um Terreno que gera tanto mana Incolor quanto colorido para o Eldrazi; como ele não está atrelado a tipos de criatura, ele facilita ao deck encaixar criaturas não-Eldrazi como Broadside Bombardiers.
Outras Cartas
Além dessas cartas que têm aparecido com mais frequência, outras cartas têm sido experimentadas em alguns arquétipos:
Firdoch Core apareceu em listas de Eldrazi como uma maneira de gerar mana Incolor por cima de Blood Moon com a opção de bater forte mais tarde.
Loch Mare e Oko, Lorwyn Liege apareceram em algumas listas de Control.
Algumas listas de Dimir Reanimator testaram Deceit como uma carta para fazer uma função parecida com a de Troll of Khazad-dûm: gerar um efeito e esperar no cemitério para ser reanimado.
Silvergill Mentor parece ser uma carta bem legal para o deck de Merfolk, embora o deck não tenha aparecido muito.
Abigale, Eloquent First-Year surgiu como opção para a caixa de ferramentas de Recruiter of the Guard, mas não se firmou.
Conclusão
Como é de praxe, edições com foco no Standard não costumam render muitas mudanças no Legacy. Claro que temos edições com impacto praticamente zero como Spider Man e Final Fantasy e outras bem relevantes como Edge of Eternities. Lorwyn Eclipsed fica num meio termo, comparável a Aetherdrift: algumas cartas legais para alguns arquétipos rodeando uma carta realmente impactante, Stock Up naquele caso, Hexing Squelcher no caso atual.
Como ainda é uma edição recente, há sempre a possibilidade de algo aparecer jogando. Encerro por aqui essa análise de Lorwyn Eclipsed.
Um abraço incounterável, espero que tenham gostado e até a próxima!












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