Magic: the Gathering

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Metagame: O Melhor Pro Tour de Standard em Muito Tempo

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A combinação de uma cobertura mais próxima dos jogadores, partidas emocionantes e um Metagame diverso que desafia as previsões mais pessimistas criou um evento digno de ser acompanhado do começo ao fim.

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revisado por Tabata Marques

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Durante o ano passado, os torneios de alto nível oficiais de Magic pareciam notavelmente desinteressantes: as transmissões eram apáticas, os Metagames pareciam resolvidos antes da primeira rodada e a sensação geral era de que o competitivo havia perdido a graça ou era polarizado demais para equilibrar.

Não é exagero dizer que o Pro Tour Lorwyn Eclipsed quebrou o molde. Ele foi o melhor torneio oficial de Magic em anos e proporcionou um ar fresco para o Standard como não visto durante o ciclo inteiro da temporada passada do formato.

Novos decks surgiram, estratégias emergentes se consolidaram enquanto os gigantes do Metagame — arquétipos de Badgermole Cub com Nature's Rhythm — foram desafiados e vencidos em um território confortável por estratégias majoritariamente fora do radar até o início do torneio.

Foi um sopro de ar fresco. Assistir ao evento trouxe o sentimento de assistir a um Pro Tour como lembrávamos dele e como ele merece ser tratado: um evento de alto nível, com uma boa cobertura que coloca os jogadores em evidência e que serve majoritariamente para promover a maneira como esses jogadores encontraram meios de destrinchar a nova coleção vigente com decks inovadores.

O Melhor Pro Tour em Muito Tempo

Do ponto de vista técnico, a produção da Wizards of the Coast não apresentou melhorias relevantes — as mesmas críticas em relação à importância de valorizar os eventos de nível profissional e torná-los um espetáculo digno do nome continuam válidas, ainda com as mesmas expectativas de que a empresa tenha aprendido a lição com o Mundial de 2025 e faça por onde o próximo Campeonato Mundial seja tão memorável quanto este evento.

Mas a empresa parece ter feito o dever de casa no que mais importa: entregaram os microfones aos jogadores, proporcionando entrevistas vívidas e com mais tempo de tela durante as partidas, conversas sobre decisões e expectativas após os jogos com os rostos e vozes de quem está ali em cada rodada em busca do sonhado Top 8.

A Wizards conseguiu abdicar da estética em torno de cartas sendo viradas na mesa e pessoas com cara emburrada enquanto os narradores tentavam fazer aquele jogo parecer mais divertido do que realmente é, ou promover o próximo produto — optaram por uma abordagem mais humana. Eram competidores jogando Magic, revisitando suas estratégias, emoções e histórias de uma maneira que transformou o Pro Tour Lorwyn Eclipsed em um espetáculo sobre se conectar com seus protagonistas: os jogadores.

Soa quase catártico como o evento que prestou homenagens sólidas ao Kai Budde, um dos maiores jogadores de Magic de todos os tempos que nos deixou cedo demais, tenha mudado tão perfeitamente o foco da sua transmissão para proporcionar o devido espaço e valor onde realmente importa.

Nas mesas, este Pro Tour provou que as mídias sociais permanecem imediatistas demais em suas conclusões. Antes do evento, o Metagame parecia direcionado de forma preocupante para os decks de Badgermole Cub, tanto nos resultados da primeira semana do novo set quanto nos torneios do Regional Championship.

O doomsaying — aquela tendência de prever o pior cenário possível para o jogo — já havia tomado conta das discussões online e decidido que o Standard estava quebrado em torno dos arquétipos verdes.

Imagem: Magic.gg
Imagem: Magic.gg

Os resultados, entretanto, mostraram que o formato está longe de ser resolvido na atual temporada: apenas um arquétipo de Badgermole Cub esteve presente no Top 8, enquanto estratégias que estavam fora do radar principal — como Dimir Excruciator, Temur Mightform e os novos decks de Elementals — se provaram competidores capazes de desafiar os padrões do formato e chegar ao topo.

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Este foi o maior destaque deste evento. Magic mudou — é inegável a maneira como o MTGArena e a ampliação de base de jogadores fazem o Standard ser resolvido em uma velocidade sem igual. Este evento quebra esse molde quando as estratégias já conhecidas e/ou dominantes não necessariamente foram as que performaram melhor, mesmo quando o Metagame não estava voltado integralmente para uma dinâmica de "deck" contra "anti-deck", como durante o ciclo do Izzet Cauldron.

Presenciamos partidas de Top 8 com ampla diversidade de decisões do que parece ser um dos cenários mais diversos dos últimos tempos, um sopro de vida necessário após tantos Metagames repetidamente polarizados e previsíveis. Primeiro com Bounce, depois com Mono Red Aggro, seguido por Izzet Prowess e finalmente Izzet Cauldron.

No fim das contas, o Pro Tour Lorwyn Eclipsed teve tudo o que se espera de um grande torneio: partidas empolgantes de assistir, um trabalho excelente de cobertura e um Top 8 digno de acompanhar jogada por jogada.

Foi um dos melhores eventos competitivos de Magic em muito tempo, e um exemplo para edições futuras de como abordar um evento profissional e como uma boa gestão de um formato — talvez incidental e efêmera — vai longe em tornar destes torneios muito mais interessantes de acompanhar.

As Incertezas de um Standard de sete lançamentos

Então, está tudo bem agora? Não exatamente. O futuro do Standard, por mais promissor que pareça agora, carrega incertezas que merecem atenção e arriscam fazer com que esse momento de estabilidade tenha vida curta.

Como consequência natural da rotação estendida para três anos e da velocidade com que novos sets são lançados, o formato atual talvez nunca tenha estado com um nível de poder tão alto na última década, sendo difícil imaginar que existe um planejamento detalhado para manter a diversidade do Metagame sem recorrer ao botão de emergência do banimento em algum estágio.

A celeridade e recorrência com que ele precisa ser pressionado também criam novas crises. Portanto, fica o sentimento de que a diversidade do Standard, como a reconhecemos neste fim de semana, pode ser extremamente efêmera.

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Os decks de Badgermole Cub + Nature's Rhythm, embora muito presentes durante o torneio, não dominaram em resultados por serem o arquétipo com o maior alvo no maindeck e sideboard de outros arquétipos — e isso pode ter sido o que diversificou o torneio neste fim de semana.

Os jogadores precisaram buscar formas de responder a essa ameaça e, diferente do que aconteceu com o Izzet Cauldron, encontraram soluções: decks como Temur Harmonizer, Izzet Elementals e Dimir Excruciator apresentaram boas taxas de vitória contra esses arquétipos dentro e fora das telas.

O problema é como as mudanças em torno de ter encontrado a resposta para o dilema de "como vencer os decks de Rhythm" afetará a saúde do Standard nas próximas semanas. Existem dois cenários possíveis: ou teremos um Metagame diverso com variedade de estratégias viáveis conforme jogadores aprendem a lidar com os novos decks emergentes, ou a aceleração rápida proporcionada por Badgermole Cub forçou o formato a se apoiar em estratégias de combos cujo plano envolve invalidar todo o progresso de jogo do oponente com uma combinação de A + B para garantir a vitória.

Existe, de fato, o risco de que essa diversidade seja artificial, o resultado do formato ter se inclinado para estratégias de combo porque são as únicas capazes de competir com a velocidade das listas de Nature's Rhythm / Badgermole Cub em estabelecer o plano de jogo — se confirmado, o Standard pode se tornar menos interativo em poucas semanas e mais dependente de fazer sua coisa absurda antes do oponente.

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De qualquer maneira, é possível que a maré tranquila atual ou até uma eventual crise futura dure muito pouco. Outra preocupação sobre a saúde do formato tem a ver com a velocidade com que o Metagame se transforma: no fim de fevereiro, Teenage Mutant Ninja Turtles será lançado e pode fazer mudanças que desestabilizem o formato. Em abril, Secrets of Strixhaven chegará oferecendo os mesmos riscos.

Serão meses muito agressivos entre março e abril para a inserção de cards novos no Standard. Só então os jogadores terão paz suficiente para aproveitar um Standard estável por mais tempo até a chegada de Marvel Super Heroes em junho, dando tração para mais um ciclo de lançamentos quase bimestrais.

Sete expansões de Magic em um ano são ruins para a saúde financeira dos jogadores e para o próprio aproveitamento do card game, mas também são prejudiciais para o Standard quando cada novo set arrisca quebrar o formato ao invés de fazer o mesmo que Avatar e Lorwyn Eclipsed fizeram, enquanto o público por si demanda que cada novo set de Magic seja suficientemente relevante para "valer a compra do produto".

Momentos proveitosos como os do Pro Tour Lorwyn Eclipsed podem ser esquecidos muito em breve, substituídos por um novo ciclo de ajustes e reações a novos cards e interações mal-planejadas ou assim que a próxima bomba de cartas quebradas aterrissar nas mesas — já está escrito, feito e produzido, não há como evitar a viagem turbulenta de Magic em 2026 e suas consequências para o Standard.

O Pro Tour Lorwyn Eclipsed mostrou que o competitivo de Magic ainda pode ser emocionante. Agora a Wizards/Hasbro precisa decidir: quer preservar essa emoção ou está disposta a sacrificá-la no altar do lucro rápido?

Em meio aos processos que colocaram em evidência midiática a crise da "estratégia de paraquedas" no excesso de lançamentos de Magic: The Gathering, talvez essa escolha já não seja tão fácil quanto foi nos anos anteriores.