Magic: the Gathering

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Pioneer: Um Novo Dilema Vermelho

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O banimento de Heartfire Hero parece ter servido apenas para Cori-Steel Cutter se tornar o novo pilar vermelho do Pioneer, alavancando o Izzet Prowess como melhor deck do Metagame.

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revisado por Tabata Marques

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O Pioneer tem um novo melhor deck: Izzet Prowess aproveitou a lacuna deixada pelo banimento de Heartfire Hero e o lançamento do pacote de Lessons de Avatar para mostrar ao formato por que Cori-Steel Cutter foi banida do Standard e permanece como uma das staples mais poderosas do Modern e do Legacy.

O arquétipo teve o maior crescimento do formato nos últimos 30 dias: no momento de escrita deste artigo, Prowess representa mais de 33% do Metagame do formato e compôs mais de 45% do Top 32 de dois Challenges da primeira semana de janeiro e ocupou cinco das oito colocações do Top 8 do Pioneer Super Qualifier — uma prova de que, apesar do deck ter se estabelecido no formato há mais de um mês, o Metagame está tendo severas dificuldades em se adaptar.

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Com as Lessons, Prowess se tornou mais consistente em desencadear Cori-Steel Cutter graças à Boomerang Basics, que funciona como "cantrip" e interação enquanto reutiliza cards como Stormchaser's Talent, e com Strixhaven disponível no Pioneer, o arquétipo se permite utilizar Academic Dispute — muito decente por conta própria uma lista agressiva de Prowess — para ter virtualmente sete cópias do card enquanto habilita um toolbox eficaz com remoções, proteção e interação de pilha.

Não vamos medir palavras.

Cori-Steel Cutter precisa ser banida

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Há uma categoria específica de cards em Magic: The Gathering que só tende a melhorar conforme novas expansões saem, porque requerem muito pouco para funcionarem e ganham muito suporte porque precisam apenas de um efeito genérico ou porque se encaixam em um padrão muito comum e/ou popular no card game.

Cori-Steel Cutter requer apenas mágicas baratas: qualquer cantrip, pseudo-Lightning Bolt, drop agressivo ou Bounce já faz o suficiente em alimentar o artefato com o que ele precisa para permanecer relevante no cenário competitivo, e com Magic lançando sete expansões em 2026, é difícil imaginar que a qualidade individual dessas novidades não amplifique os problemas que já estamos vendo por conta de Boomerang Basics e Heroes' Hangout.

Prowess ainda é muito forte no Standard — apesar de hoje ter uma postura de Midrange/Control — e Cori-Steel Cutter, tal qual como no Standard, invalida demais a possibilidade de responder em paridade de recursos sem contar com cards específicos para lidar com o artefato e suas fichas simultaneamente.

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As respostas baratas que temos hoje não lidam com o artefato como Pest Control, ou são fáceis demais de resolver com Boomerang Basics, fazendo com que o arquétipo nem sequer precise considerar guardar slots para counterplays porque a linha utilizada para resolver esses problemas já interage diretamente com seu plano de jogo proativo.

Portanto, a única rota possível para a saúde do formato no curto prazo é o banimento de Cori-Steel Cutter para buscar um pouco mais de diversidade no Pioneer e resolver o principal problema que o Metagame enfrenta hoje e não consegue resolver por meios tradicionais.

O que podemos fazer até o Banimento?

Não muito, porque dedicar uma lista inteiramente a vencer Prowess te deixará desfavorecido contra todo o resto do formato.

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Selesnya Company foi outro arquétipo que cresceu no último mês porque Badgermole Cub alavancou o potencial explosivo dos mana dorks e permitiu colocar Ouroboroid nas listas como uma bomba de meio de jogo, e cards como Pest Control ou Temporary Lockdown fazem muito pouco nessa partida enquanto remoções pontuais são mais eficazes em resolver ameaças com alto valor individual.

Company, inclusive, parece ser uma opção neste momento para competir em igualdade com Prowess e apresenta a proposta que melhor parece funcionar nesses casos: impor uma posição de mesa mais ampla, de preferência sem abdicar tanto da interatividade — para fins práticos, isso significa seja mais rápido ou seja mais forte enquanto também tenha peças que lidam com o principal problema do deck

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Por outro lado, alguns jogadores testaram ostensivamente um Orzhov Control por algumas semanas, e ele logo transitou para um Orzhov Demons, trocando o splash de Magic Symbol R por Magic Symbol W para ter acesso à Vanishing Verse e High Noon — dois cards excelentes contra Prowess — além de Doorkeeper Thrull e Blood Baron of Vizkopa contra Selesnya Company, o que apresenta as tentativas do formato de continuar se adaptando ao atual cenário, mesmo que sob tentativas de não abrir tantas concessões ao ponto de não conseguir executar seu plano de jogo.

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O mesmo pode se aplicar às recentes interações de Bounce, que agora incluem Boomerang Basics para ampliar a consistência e conseguem comportar tanto Temporary Lockdown quanto Vanishing Verse sem abrir mão da interação e mecanismos de valor para outras partidas, graças à sinergia do deck com Yorion, Sky Nomad. Essa estratégia também consegue usar Lockdown proativamente nos jogos em que o card não tem tanta importância contra o oponente, já que exila todas as suas permanentes baratas também e, ao ser devolvido para a mão, reutiliza todos os ETBs delas.

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O Problema das Sombras do Standard

Mesmo sem Heartfire Hero, os problemas do Pioneer ainda parecem atrelados demais ao atual estado do Standard. Mono Red Mice e Izzet Prowess se provaram problemas na temporada passada e repetem o mesmo padrão no formato não-rotativo, sendo talvez um sintoma comum de um Magic que está lançando cada vez mais produtos e tendo mais dificuldade em balancear seus cenários competitivos com uma rotação de três anos.

O Standard corre muito mais riscos porque a pool de cartas amplificada abre potenciais de interação que não foram anteriormente planejados: como Mark Rosewater pontuou uma vez em seu blog, basta um minuto do lançamento de um novo set de Magic para a comunidade inteira ter mais tempo com a expansão do que toda a equipe de playtesting, e existe um balanço natural em todo card game onde a equipe de design tenta entregar algo empolgante o suficiente e a comunidade tenta quebrar esse algo — os riscos hoje são apenas mais altos e mais frequentes porque a relação entre mais lançamentos por ano somada com rotação mais demorada cria mais cenários perigosos.

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Se Bounce, Mono Red e Prowess foram um problema e tivemos a dominância de Izzet Cauldron logo depois, não podemos dizer que o Standard tem vivido seus tempos mais estáveis, e a saúde ruim dele prejudica diretamente o Pioneer. Afinal, este foi projetado para ser o formato para onde as cartas de Standard vão quando rotacionam e isso inclui também os cards banidos, sendo natural que jogadores procurem o Pioneer para jogar com suas Cori-Steels ou This Towns quando essas deixaram de ser válidas no principal cenário competitivo do TCG.

Essa relação entre os dois formatos foi feita considerando que os jogadores poderiam sentir falta daquele deck empolgante ou daquela carta que acabou de rotacionar e gostaria de utilizá-la em outro cenário — tal qual era o propósito do Modern na sua concepção original —, mas hoje, as principais staples Pioneer a deixarem o Standard são aquelas que os jogadores detestaram jogar contra.

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Se jogadores estavam cansados de enfrentar Sheoldred, the Apocalypse quando ela rotacionou, o que podemos dizer de Cori-Steel Cutter, Heartfire Hero ou This Town Ain't Big Enough quando esses causaram danos reais à saúde do Standard? E se essas são (ou foram) staples tão fortes no Pioneer ao ponto de oferecerem riscos reais ao Metagame como fizeram anteriormente no Standard, qual motivador estamos dando para quem joga Standard se sentir compelido a jogar Pioneer?

Heartfire Hero só foi banido porque a dinâmica de jogos não-interativos no Magic Arena para o Pioneer estava alta demais, e Cutter terá provavelmente o mesmo destino e com justificativas semelhantes. O problema, entretanto, permanecerá em ambos os formatos enquanto a qualidade de respostas que Magic oferece a cada expansão não ficar a par da qualidade individual e/ou sinérgica das ameaças.

Magic ainda teme reimprimir cards como Path to Exile por serem fortes demais para o Standard enquanto lança Uro, Titan of Nature's Wrath, Cori-Steel Cutter e Vivi Ornitier como as ameaças que precisamos resolver com o que temos, e essa disparidade continua dando problemas, expansão após outra — e continuará dando enquanto o equilíbrio e balanceamento competitivo não for devidamente endereçado para uma janela de lançamentos tão agressiva e uma rotação tão longa que afeta também a percepção coletiva do que o Pioneer representa.

Concluindo

Isso é tudo por hoje!

Em caso de dúvidas, fique à vontade para deixar um comentário!

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