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Kaylani

Manual do cEDH - Cenários de Jogo

Esta Seção tem como objetivo exemplificar os princípios discutidos na Seção Motivação através de alguns exemplos de decisões tomadas durante partidas reais.

*Índice* [link](https://cardsrealm.com/artigos/manual-do-cedh---avaliacao-de-ameacas)(1. Avaliação de ameaças) 2. Cenários de Jogo 3. Arquétipos *Cenários de Jogo* Esta Seção tem como objetivo exemplificar os princípios discutidos na Seção Motivação no primeiro artigo. Serão mostradas decisões tomadas durante partidas reais. *Cenário 1* [image](https://cardsrealm.com/images/uploads/1579221467.jpeg) *Background*: Neste cenário o jogador A teve um desenvolvimento lento e estava tentando criar uma presença no *board* ao poucos devido à presença de decks com remoções globais na mesa. O jogador B passou os primeiros turnos esculpindo a mão e tentando chegar às 7 manas necessárias para vencer o jogo enquanto atrasava os outros decks. O jogador C utilizou o *early game* para gerar *card advantage* com seus comandantes e tutorar respostas e peças faltantes para seu combo. O jogador D atingiu rapidamente 12 manas com um Dockside Extortionist e estava pronto para tentar tomar conta do jogo no próximo turno. *Resumo do Boardstate:* A: Alguns Mana Dorks, a comandante e 1 mana disponível. B: Comandante, alguns artefatos e 0 mana disponível. C: Dorks, [card](Jace, Wielder of Mysteries) (Lab-Jace), comandantes e 6 manas disponíveis. D: [card](Dockside Extornionist) e 12 manas disponíveis. Durante o quinto ciclo de turnos o jogador B tutorou uma peça do seu combo para o topo do deck com um [card](Mystical Tutor) (feito no próprio turno porque os outros jogadores tinham poucas manas em pé), apesar do jogador C ter um [card](Jace, Wielder of Mysteries) (Lab-Jace) no campo. O jogador C ativou o [card](Jace, Wielder of Mysteries) (Lab-Jace) forçando o jogador B a castar um *draw spell* em *instant speed* para não perder a peça do combo. Em resposta o jogador C tutorou a outra peça do seu combo [card](Protean Hulk) para o topo com um [card](Vampiric Tutor) em resposta à habilidade do [card](Jace, Wielder of Mysteries) (Lab-Jace). Jogador C passa o turno com [card](Jace, Wielder of Mysteries) (Lab-Jace), Sylvan Safekeeper e 6 manas em pé. No turno do jogador D, enquanto o jogador B está sem manas em pé, ele casta um Obliterate, sacrificando seus tesouros e colocando as manas na pool para poder castar o comandante após a resolução. O jogador C casta [card](Flash) com as manas que gerou em resposta ao [card](Obliterate) antes de trocar de fase e ganha o jogo. Os erros aqui foram claros: o jogador de Naru-Meha escolheu tutorar uma peça para o topo sabendo que precisaria gastar recursos para defendê-la. E o jogador de Naru-Meha tentou executar seu plano de jogo sem levar em conta a posição de outro deck na mesa, provavelmente por não conhecer a capacidade do deck. O jogador D entregou o jogo por não reconhecer ameaças iminentes de outros decks, provavelmente devido à falta de conhecimento sobre o formato, além de não saber alterar o *gameplan* na presença de ameaças de outros jogadores. *Cenário 2* [image](https://cardsrealm.com/images/uploads/1579222546.jpeg) *Background:* Neste cenário o jogador A obteve um desenvolvimento rápido com o auxílio de *Mana Rocks* e elementos disruptivos dos outros jogadores para segurar o jogador C, que era o deck mais rápido da mesa. A jogadora B teve um desenvolvimento mais lento, não podendo se comprometer com o desenvolvimento do *board* devido à ameaça de [card](Flash) + [card](Protean Hulk) que o jogador C estava representando. O jogador C se desenvolveu bem com Mana Dorks e estava usando a comandante para obter *card advantage*, até ser atrasado por um Board Wipe. O jogador D desenvolveu seu *board*, mas sem permanentes que afetassem o jogo até que seu comandante estivesse em campo, exceto por uma Howling Mine que foi destruída pelo jogador A (que não queria aumentar o número de respostas compradas pelos outros jogadores). *Resumo do Boardstate:* A: Algumas *Mana Rocks*, [card](Karn, the Great Creator), [card](Teferi, Time Raveler) e 12 manas disponíveis. B: Comandante e 6 manas disponíveis. C: [card](Thrasios), [card](Noble Hierarch), [card](Sylvan Safekeeper) e 6 manas disponíveis. Conteúdo da mão: [card](Jace, Wielder of Mysteries) (Lab-Jace), [card](Demonic Consultation) e [card](Veil of Summer). D: O jogador D estava pilotando um deck com pouquíssimas interações. Seu *board* e mão não afetaram efetivamente o jogo. Com a habilidade de jogar em *instant speed* e a aceleração que obteve no *early game*, além do benefício de estar pilotando um deck *off-meta* (que foi indevidamente ignorado), o jogador A conseguiu liderar o jogo até inviabilizar tentativas de vitórias dos outros jogadores. Com um [card](Teferi, Time Raveler) impedindo as respostas dos outros jogadores e a habilidade de aumentar seu *board* na *end-step* do jogador D, era claro que o jogo precisava ser resolvido rapidamente. A mão do jogador B consistia apenas em Bounce Spell que não seriam efetivos porque o jogador A poderia castar as permanentes novamente com a habilidade do Raff, então o jogador B passou o turno esperando o pior. O jogador C tentou forçar a interação do jogador A ao atacar Teferi, Time Raveler com duas criaturas, visto que o jogador C poderia tentar ganhar o jogo mas ele precisava da proteção do Véu do Verão que era impedida pelo Teferi. O jogador A bloqueou uma das criaturas mas castou Teferi's Protection para não perder o Teferi. Com o jogador A fora de fase, o jogador C castou [card](Jace, Wielder of Mysteries) (Lab-Jace) e Consultation, porém a jogadora B tinha duas remoções e o [card](Veil of Summer) não foi o suficiente para proteger o Jace, Wielder of Mysteries (Lab-Jace). No turno do jogador A, ele voltou de fase e castou um Knowledge Pool para lockar os outros jogadores com o Teferi. Após um Board Wipe os outros jogadores concederam. Aqui o jogador A quase perdeu o jogo devido a uma jogada conservadora e foi preciso que a jogadora B utilizasse suas respostas para impedir o jogador C. O jogador C tentou ganhar o jogo porque não achou que a situação ficaria melhor (e não ficou). O jogador D, além de não interagir com as ameaças dos outros jogadores (exceto pela anulação do Estudo Rístico do jogador C, onde os jogadores A e B também gastaram respostas para garantir que a permanente não resolvesse) forneceu *draw* adicional com [card](Howling Mine), este tipo de estratégia costuma sair pela culatra, visto que dar cartas para seus oponentes não costuma ser bom. Houve, então, uma má alocação de recursos para algumas jogadas enquanto decisões incrementais foram ignoradas até que não pudessem ser mais resolvidas. *Cenário 3* [image](https://cardsrealm.com/images/uploads/1579222838.jpeg) *Background:* Neste cenário os jogadores A e D passaram o *early game* tentando utilizar Mana Dorks para acelerar o jogo e finalizar a partida rapidamente com um combo de mana infinita, visto que os jogadores B e C iriam estabilizar durante o *late game*. Já os jogadores B e C passaram o *early game* resolvendo ameaças pontuais dos jogadores A e D e castando Card Advantage Engine e Ramp Spell para estabilizar. Após algumas cóleras os jogadores A e D ficaram sem gás e o jogo ficou a ser decidido entre os jogadores B e C. *Resumo do Boardstate:* A: Alguns Mana Dorks e 0 mana disponível. B: Mais de 20 manas disponíveis. C: Comandante, Counterbalance e mais de 10 manas disponíveis. D: Alguns Mana Dorks e 1 mana disponível. O jogador B tinha acesso a mais de 20 manas por ciclo de turno (devido a Urborg-Coffers e Mana Doublers e estava esperando uma brecha para ganhar com um Exsanguinate. A jogadora C estava tentando utilizar a Rashmi para comprar mais cartas usando um Capsize castado com buyback. Após alguns turnos de impasse a jogadora C estava com o combo [card](Peregrine Drake) + [card](Deadeye Navigator) na mão, mas esperou ter mais cartas na mão que o jogador B para combater todas suas remoções. Após mais alguns turnos a jogadora C utilizou um Gitaxian Probe para saber se era possível passar por cima de todas as remoções do jogador B. Porém a mão do jogador B continha Sudden Death (uma remoção com *split second*), logo, a jogadora C pôde utilizar um Brainstorm para colocar o Capsize no topo do deck e anular a mágica com *split second* através do *trigger* do Counterbalance. Após um Delay, um Dispel e um *trigger* do Counterbalance a jogadora C conseguiu resolver seu combo [card](Peregrine Drake) + [card](Deadeye Navigator) e finalizar o jogo com um Stroke of Genius. Aqui, a impaciência da jogadora C teria causado a remoção de seu único combo e possivelmente entregado a vitória para o jogador B. Porém, ela identificou que cabia ao jogador B encerrar o jogo e se moveu agressivamente apenas após ter segurança de que a vitória poderia ser obtida. *Cenário 4* [image](https://cardsrealm.com/images/uploads/1579223045.jpeg) *Background:* Esta partida pode ser vista no primeiro episódio da terceira temporada dos Laboratory Maniacs [1]. Neste cenário o jogador A teve um início explosivo com um Mana Vault no turno 1 e um Gitrog não anulável no turno 2 com um Bazaar of Baghdad logo em seguida. O jogador B passou os primeiros turnos desenvolvendo o *board* e respondendo ao Gitrog do jogador A com um Gilded Drake, solução que foi contornada pelo jogador A utilizando um Homeward Path recém comprado. O jogador C teve um início mais lento e usou uma de suas respostas para atrasar o jogador D, sabendo que o Zur também é um deck explosivo. O jogador D teve uma de suas peças de aceleração anuladas e achou uma abertura para tentar vencer o jogo. Após um Timetwister castado pelo jogador C e um Chain of Vapor que limpou grande parte do campo (17:20), os jogadores usaram o próximo ciclo para reconstruir. Após uma tentativa de *end step sculpt* pelo jogador A e um Vampiric Tutor castado pelo jogador D, temos o seguinte *board state*: *Resumo do Boardstate*: A: Comandante, [card](Homeward Path) (no campo) e [card](Life from the Loam) (na mão). B: [card](Gilded Drake), [card](Mystic Remora), [card](Exploration), [card](Carpet of Flowers) e 3 manas disponíveis. C: [card](Grim Monolith), [card](Rhystic Study) e 5 manas disponíveis. D: [card](Sensei's Divining Top) e 5 manas disponíveis. O jogador D casta um [card](Laboratory Maniac) seguido por um Demonic Consultation. Apesar do jogador B possuir uma Remora e o jogador C possuir um Rhystic Study, ambos com manas disponíveis, o jogador D achou que era uma boa hora para tentar ganhar o jogo. Era notável que o jogo estava começando a sair do alcance do jogador D, visto que os outros decks estavam gerando muito mais *card advantage*. O resultado da interação (que foi admitida como "gananciosa" pelo jogador D) pode ser vista no episódio. Spoiler: o jogador D foi parado por um simples Chain of Vapor. O erro aqui não foi desconhecer os outros decks da mesa, ou até mesmo não saber avaliar a posição de cada jogador, mas sim tentar finalizar o jogo apesar dos outros jogadores representarem diversas maneiras de interagir, contra nenhuma proteção do jogador D. *Cenário 5* [image](https://cardsrealm.com/images/uploads/1579223244.jpeg) *Background:* Esta partida pode ser vista no segundo episódio da terceira temporada dos Laboratory Maniacs [2]. Neste cenário o jogador A castou uma peça de Stax ([card](Grafdigger's Cage)) que afetava dois decks na mesa no turno 1. E passou os próximos turnos apenas representando respostas. O jogador B utilizou o primeiro turno castando um Mana Dork e o próximo castando um [card](Aven Mindcensor) (outra peça de Stax ao invés de sua comandante no turno 2). O jogador C recebeu um *setback* devido a um Aven Mindcensor castado pelo jogador B. O jogador D começou bem devagar e castou outra peça de Stax ([card](Cursed Totem)) no turno 2. *Resumo do Boardstate:* A: Grafdigger's Cage e 3 manas (azuis) disponíveis. B: Noble Hierarch, Aven Mindcensor e 3 manas disponíveis. C: Mox Opal e 1 mana disponível. D: Cursed Totem, Mox Opal e 0 mana disponível. Aqui o jogador B teve sua Tymna anulada pelo jogador A (por volta de 12:20). Durante a jogada analisada o campo continha 3 peças de Stax, onde 2 peças impediam o plano tradicional do jogador B ([card](Flash) + [card](Protean Hulk)). O raciocínio do jogador B foi utilizar a comandante como Card Advantage Engine enquanto não conseguia remover as peças de Stax. Porém o jogador A julgou que, em uma partida mais lenta, a Tymna iria liderar em *card advantage* e surpreendeu o jogador B com um Counterspell. *Cenário 6* [image](https://cardsrealm.com/images/uploads/1579223367.jpeg) *Background:* Esta partida pode ser vista no episódio *uncut* da terceira temporada dos Laboratory Maniacs [3]. Neste cenário o jogador A se desenvolveu rapidamente, como é costumeiro de um deck Food Chain, e passou os primeiros turnos tutorando as peças necessárias para ganhar a partida. O jogador B se desenvolveu de forma mais lenta, como é costumeiro de um deck control, e usou seus turnos para rampar um pouco e castar o comandante. É notável aqui a escolha de comandante porque representa que forma de *card advantage* o jogador B tentará estabelecer ao longo do jogo (revelada em 12:42). O jogador C passou o *early game* interagindo (parando múltiplas investidas do jogador A) e castando uma Mystic Remora. O jogador D começou bem devagar e utilizou o fato de ser o último a receber prioridade em relação ao jogador A para manter o ônus da interação nos dois outros jogadores (isto pode ser visto pela mão inicial do jogador D em 2:13). *Resumo do Boardstate:* A: [card](Noble Hierarch) e 1 mana disponível. B: [card](Birds of Paradise), [card](Vial Smasher) e 3 manas disponíveis. C: [card](Mystic Remora) e 0 mana disponível. D: [card](Sensei's Divining Top) e 1 mana disponível. Além do *boardstate* durante a jogada discutida, vale a pena ressaltar as jogadas anteriores: *Jogadas Anteriores:* A: Resolveu dois tutores, teve um tutor anulado, resolveu um [card](Silence) e não conseguiu vencer o jogo após um Bounce Spell na [card](Noble Hierarch). B: Castou uma peça de aceleração e o comandante. Ficou virado antes do terceiro turno do jogador A. C: Castou um [card](Sensei's Divining Top) e nenhuma peça de aceleração ou *card advantage*. D: Castou uma Remora, pagou pela Remora e apenas interagiu com o jogador A. A jogada discutida aqui não é uma que afeta diretamente o encerramento da partida, mas é uma que provavelmente teria alterado o curso da partida se tivesse sido diferente. Aqui, o jogador B casta um [card](Keen Sense), tentando estabelecer um Card Advantage Engine e o jogador D casta um [card](Swords to Plowshares) no [card](Vial Smasher), tentando impedir o desenvolvimento do jogador B. A discussão entre os jogadores segue (12:42): D: I'll cast a Swords to Plowshares, targeting Vial Smasher. B: Please, reconsider. Luke (A) probably has a Food Chain in his hand. Are you sure you want to do that? D: Yeah. You still have 3 mana. Cameron (C) has 10 cards and is not that fast a deck. Slow decks win by baiting foolhardy like me into not let them use their engines early and bridging it to the late game. I've lost to Cameron on Tasigur enough to know that, yes, you do, in fact, kick the control player in the first couple turns, otherwise you lose. B: You are playing a dangerous game. D: Aha. If I lose to Luke (A), I lose to Luke (A). I can still just lose to you because you have a Keen Sense. I'm not winning in neither of those cases. I don't care who I lose to, I'd rather win. B: There is a good chance that you might not win because of it. D: There is a good chance that you should be saving your 3 mana for a counterspell then. B: What if I don't? D: Well, then. That's your punt, not mine. O raciocínio do jogador D foi comprovado correto, tendo em vista o resultado do jogo. É interessante notar que o jogador B foi obrigado a gastar recursos para estabelecer uma maneira de "unir" o *early* ao *late game*. O jogador B também agiu de forma correta, pois precisava garantir que seu plano de jogo seria executado, mesmo na presença da ameaça do jogador A. Ótima avaliação feita pelo jogador D sobre as posições de cada jogador na partida. [link](https://github.com/kaylani2/cedh-ta)(Leitura adicional - spoiler dos próximos artigos - e PDF centralizado) *Referências* [1] L. Maniacs, “S3 episode 1: Gitrog combo vs tasigur control vs chain veil teferi vs shimmer zur cedh gameplay.” https://www.youtube.com/watch?v=d5Dlbw0suXo, 2019. Acessado em 22/12/2019. [2] L. Maniacs, “S3 episode 2: Breya consult vs shuffle hulk vs divergent control vs niv-mizzet parun cedh gameplay.” https://www.youtube.com/watch?v=Xwk0jZIijYI, 2019. Acessado em 22/12/2019. [3] L. Maniacs, “S3 uncut: Food chain tazri vs 4 color rashmi vs inalla wizards vs e man cedh gameplay.” https://www.youtube.com/watch?v=Hz-hXKlSnxQ, 2019. Acessado em 22/12/2019.

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Kaylani Bochie iniciou no Magic em Mirrodin, no final de 2003. Foi iniciado no cEDH em 2016, pelo interesse natural em otimizar estratégias no Commander. Busca decks control em todos os formatos e está sempre à procura do “2-por-1” perfeito.

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Manual do cEDH - Avaliação de Ameaças


*Índice* [link](https://cardsrealm.com/artigos/manual-do-cedh---avaliacao-de-ameacas)(1. Avaliação de ameaças) [link](https://cardsrealm.com/artigos/manual-do-cedh---cenarios-de-jogo)(2. Cenários de Jogo) 3. Arquétipos *INTRODUÇÃO* *A threat assessment is an evaluation of events that can adversely affect operations and/or specific assets. Historical information is a primary source for threat assessments, including past criminal and terrorist events. A comprehensive threat assessment considers actual, inherent, and potential threats* [1] Naturalmente, para se atingir um bom nível de *avaliação de ameaças* é necessário conhecimento profundo sobre o formato e no EDH. Magic é um jogo que recompensa a boa utilização de recursos limitados. As decisões que levam uma partida à vitória começam na construção do deck e vão até a última rodada de prioridade. Este artigo irá discutir as tomadas de decisão feitas durante a partida, mas isso não quer dizer que você não precisa se preocupar em montar o seu deck. Afinal, assumiremos aqui que todos os decks foram montados com a intenção de vencer. Mas mesmo um deck com poucas interações deve tomar decisões diferentes em um cenário *multiplayer*, o jogador de AGGRO no mínimo precisa pensar em quem atacar e essas decisões, quando feitas corretamente, aumentam as chances de vitória. Este é o primeiro artigo de vários que deixarei aqui. Como leitura adicional deixarei um link no final de cada artigo para um PDF com o conteúdo para leitura adicional. As contribuições dos artigos são as seguintes: - Um local centralizado para referências e fontes para leitura adicional; - Servir como ponto de partida para o leitor que deseja melhorar suas capacidades de Threat Assessment; - Uma análise não exaustiva dos decks representativos do Metagame EDH atual. *AVALIAÇÃO DE AMEAÇAS* *Motivação* Em quase todas as partidas nós tomaremos as seguintes decisões: [image](https://cardsrealm.com/images/cartas/en/ima-iconic-masters-mana-drain-65.jpg) *Devo anular essa mágica?* Devido a um período de transformação natural no *metagame*, onde decks passaram a utilizar permanentes para angariar recursos ao longo do jogo e se tornaram capazes de vencer o jogo com um *board state* mínimo, o uso de anulações tem se provado cada vez mais complexo de se avaliar. Os decks passaram a utilizar mais remoções e cartas com efeitos adicionais como formas de interação na pilha (cartas como [card](Drown in the Loch) e [card](Veil of Summer)), porém estrelas do formato continuam presentes: [card](Mana Drain), [card](Swan Song), [card](Flusterstorm) etc. Aqui, é importante analisar o estado da mesa, visto que essas cartas são preciosas para proteger suas próprias condições de vitória. Busque tentar responder: *"Quem recebe prioridade antes de mim? Quem recebe prioridade depois de mim? Eu posso me dar ao luxo de guardar minha resposta para que outro jogador utilize a dele? Haverá outra oportunidade de interagir ou o jogo estará perdido com a resolução desta mágica?"* Counterspells dobram como proteção para você, lembre-se disso e utilize-os de acordo. *Devo usar minha remoção nessa permanente?* O princípio aqui é análogo ao anterior, porém, com a escolha devendo ser feita após a resolução da mágica. Remoções pontuais também não devem ser usadas levianamente, decks competitivos costumam utilizar remoções para lidar com permanentes problemáticas (que atrapalham o seu plano de jogo). De forma geral, esqueça aquele [card](Abrupt Decay) no [card](Sol Ring) de um jogador apenas porque ele acelerou no turno 1. Lembre-se também de que toda regra tem exceções, utilize suas remoções abertamente caso a permanente em questão possa levar um jogador à vitória. *Devo atacar?* Em cEDH quase todas as partidas serão decididas por um combo ao invés do tradicional dano de combate, exceto em algumas ocasiões (Najeela), porém a fase de combate deve ser utilizada para reduzir as margens de vitória de decks que utilizam pontos de vida como recurso. Caso você seja o deck que utiliza sua vida para comprar cartas ([card](Sylvan Library)), é necessário analisar a mesa para decidir se as criaturas que você usaria para atacar poderiam ser usadas como bloqueadoras. Em um *metagame* dominado por Tymnas é importante levar em consideração a quantidade de dano causada a um jogador em relação a um *draw* adicional ao jogador de Tymna. *Quem devo atacar?* Como dito, a fase de combate não deve ser vista como uma maneira de finalizar a partida, mas sim como um meio de dano incidental que prejudica decks que abusam os 40 pontos de vida iniciais. Decks como Shimmer Zur tem como estratégia principal buscar Necropotência e encher a mão para finalizar o jogo na *end step*. Ad Nauseam também é largamente utilizado como *wincon* no formato e deve ser levado em conta ao escolher o jogador que deve ser atacado. *Eu preciso passar o turno com quantas manas em pé?* O *metagame* tem o costume de se adaptar de forma cíclica, onde os decks se tornam cada vez mais rápidos e gananciosos para outras estratégias que buscam grindar melhor até o *late game* possam predar nos decks mais gananciosos. Mesmo sem uma análise extensiva sobre o *metagame*, o cEDH é um "formato turno três", ou seja, o terceiro turno é quando os jogadores apresentam jogadas de grande importância. A heurística de esperar ameaças a partir do terceiro turno é grosseira, então, a decisão de representar respostas deve ser função da composição do POD. Com 3 decks FLASH HULK na mesa é certo de que um dos jogadores irá esperar uma brecha a partir do segundo turno, enquanto numa mesa com decks mais lentos é possível utilizar melhor o *early game* para desenvolver o *board* e talvez até passar o turno sem representar respostas. Há uma necessidade de otimizar o comprometimento em desenvolver *board* e tentar para outros jogadores. [image](https://cardsrealm.com/images/cartas/en/a25-masters-25-flash-57.jpg) *Será que alguém tem uma resposta para a minha ação? Qual? Devo continuar mesmo assim?* *Por ser um conceito muito genérico, não há uma forma de estabelecer regras para escolher o melhor momento para realizar uma ação, então, é necessário observar o cenário da mesa antes. Conhecimento sobre os decks na partida é essencial para entender quais respostas cada jogador pode estar representando em cada momento do jogo, este conceito parece (e é) complexo, porém alguns cenários se repetem e podem ser facilmente identificados. Exemplos: Piloto de Gitrog passou com 5 Manas em pé e não castou o sapo, não fique supreso em ver um Ad Nauseam. Jogador com 2 Manas azuis em pé, espere [card](Counterspell) / [card](Mana Drain)... [image](https://cardsrealm.com/images/cartas/en/ala-shards-of-alara-ad-nauseam-63.jpg) *Quando é a melhor hora para eu tentar ganhar o jogo?* Outra pergunta sem resposta fácil. É uma questão de saber analisar sua posição no contexto do Pod. Alguns decks são montados para gerar *card advantage* e ganhar no *late game* enquanto outros priorizam velocidade e consistência (First Sliver Food Chain) e perdem potência após o *early game*. Mesmo que não conhecidas *a priori*, essas perguntas possuem respostas ótimas. O jogador que falha em reconhecer como utilizar seus recursos e em identificar seu papel provavelmente terá dificuldades para atingir a vitória, ou ... *"The player who misassigns himself is inevitably the loser"* [2]. Naturalmente, decisões como *Whos's The Beatdown* possuem um pouco mais de nuance em um formato *multiplayer*, onde o resultado da partida não dependerá apenas da interação entre um jogador e seu oponente, mas sim, das interações entre quatro jogadores. O resultado mais favorável se apresentará, quase que exclusivamente, ao jogador que melhor souber se posicionar na mesa. Estas decisões incluirão fatores que podem variar desde o comandante escolhido até quem pegou a mãe de quem na mesa, visto que, por mais que gostemos de falar em decisões ótimas e racionais, é provável que pelo menos um jogador no Pod tome decisões de forma passional. Os artigos irão focar na discussão sobre como tomar decisões durante um jogo sob as seguintes suposições: - Todos os jogadores no pod estão igualmente interessados em vencer; - Todas as decisões tomadas pelos jogadores tem como objetivo, exclusivamente, a vitória da partida; - Fatores externos ao jogo não serão considerados. Abe Sargent levanta pontos interessantes sobre a avaliação de ameaças em um ambiente *multiplayer* [3]. Porém, visto que o foco desta discussão é no ambiente competitivo, é necessário acrescentar algumas informações e discordar de outras. Mas até mesmo em ambientes competitivos, alguns dos erros mencionados por Sargent são comumente cometidos (normalmente por ignorância) e podem ser facilmente corrigidos, são eles: A ameaça não é necessariamente o jogador: - Que tem mais interações; - Que tem permanentes mais poderosas; - Que interagiu com alguma ação sua previamente. A fim de ser capaz de avaliar corretamente os cenários de jogo, é necessário desenvolver algumas habilidades. O foco destes artigos será estimular o desenvolvimento dessas habilidades através de uma discussão inicial. Estas habilidades são: *Conhecimento do formato* Isto envolve conhecimento profundo sobre as cartas disponíveis para o formato (banlist), cartas viáveis, estratégias viáveis, decks presentes e possíveis interações representadas pelos outros jogadores. Para este fim, é apresentada uma análise extensiva, porém não exaustiva, dos arquétipos presentes no formato no artigo futuro (Arquétipos). *Familiaridade com o deck pilotado* É de vital importância conhecer os mecanismos e objetivos do deck escolhido. Artigo futuro (Arquétipos) pode ser de grande ajuda para a escolha dos decks, porém, as referências incluídas devem ser utilizadas para obter uma análise detalhada do funcionamento de cada deck/arquétipo [4]. Esta análise está fora do escopo destes artigos. *Ter conhecimento prévio sobre cenários recorrentes* Um ponto chave, porém impossível de ser completamente desenvolvido de forma teórica. Estes artigos não tornarão o leitor um ótimo jogador, porém devem auxiliá-lo em polir habilidades necessárias que devem ser testadas na prática. Artigo futuro (Cenários) serve para demonstrar algumas decisões comuns que o leitor deve encontrar durante seus jogos. [link](https://github.com/kaylani2/cedh-ta)(Leitura adicional - spoiler dos próximos artigos - e PDF centralizado) *REFERÊNCIAS* [1] D. Philpott, “Appendix f - best practice #2: Forensic methodology,” in Security Consulting (Fourth Edition) (D. Philpott, ed.), pp. 231 – 236, Butterworth-Heinemann, fourth edition ed., 2013. [2] M. Flores, “Who’s the beatdown?.” [link](https://articles.starcitygames.com/premium/whos-the-beatdown/)(https://articles.starcitygames.com/premium/whos-the-beatdown/), 1999. Acessado em 22/12/2019. [3] A. Sargent, “Threat assessment 101.” [link](https://www.coolstuffinc.com/a/abesargent-090114-threat-assessment-101)(https://www.coolstuffinc.com/a/abesargent-090114-threat-assessment-101), 2014. Acessado em 01/11/2019. [4] AverageDragon, “cedh decklist database.” [link](https://cedh-decklist-database.xyz/primary.html)(https://cedh-decklist-database.xyz/primary.html), 2019. Acessado em 22/12/2019.

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Kaylani Bochie iniciou no Magic em Mirrodin, no final de 2003. Foi iniciado no cEDH em 2016, pelo interesse natural em otimizar estratégias no Commander. Busca decks control em todos os formatos e está sempre à procura do “2-por-1” perfeito.

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