Tornando o Infect Modern mais tóxico e letal

Magic: the Gathering

Casual

Tornando o Infect Modern mais tóxico e letal

Nesse artigo fazemos um Deck Tech do Infect BG, e mostramos interessantes diferenças quando comparado ao seu irmão mais famoso, o Infect UG.

Por Pedro, 01/03/21

Um dos maiores problemas de um Metagame estabelecido é a previsibilidade. No Modern, quando você vem uma montanha e uma

Monastery Swiftspear

no primeiro turno você já sabe tudo que vai acontecer. Oponente começa com uma

Torre de Urza

? Você já sabe que tem que pegar a

Damping Sphere

do Sideboard e rezar pra ele não baixar um

Karn Liberated

antes. Essa previsibilidade é muito comum principalmente em cenários mais competitivos. Em eventos sérios, presenciais ou não, não é só a sua diversão que está em jogo a cada partida, favorecendo aqueles que usam estratégias e cards com maior taxa de vitórias e predominância no ambiente de jogo. Afinal, no fim do dia uma

Breeding Pool

faz o mesmo que uma

Hinterland Harbor

, gerar mana azul ou verde. Mas a primeira não só é buscável com fetchlands, como também tem mais chances de entrar de pé em momentos iniciais do jogo, favorecendo o desenvolvimento de seu plano. Isso é refletido não só nos preços como na usabilidade de ambas em torneios de grande e médio porte.

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Assim, apesar de muitos jogadores não curtirem muito a previsibilidade do meta, alegando que isso mina algumas das melhores qualidades de um jogo com mais de vinte mil cartas disponíveis para montar seu baralho, não se pode negar que ela é o caminho mais seguro para ter sucesso em torneios, aumentando suas chances de conseguir premiações e vagas para eventos maiores. Mas ainda há aqueles que tentam testar novidades em decks e fazer o barro acontecer, se jogando em torneios e ligas com seus destilados de pura maluquice. Uma boa ideia para quem ainda quer usar fórmulas de jogo efetivas e comprovadas mas ainda sim tem vontade de sentir esse gostinho de aventura e novidade é começar subvertendo alguma ideia pré-existente. E uma ideia excêntrica o suficiente para demonstrar isso é fazendo alterações no Infect, um baralho extremamente agressivo e que usa normalmente uma base azul e verde. Nesse artigo, exploraremos o Infect com a adição da mana Preta ao invés da mana Azul. A lista abaixo é do jogador RAGNARBOY e produziu bons resultados nas ligas do Magic Online ano passado e é uma das mais diversas tentativas bem sucedidas de utilizar o Infect com a cor de mana preta.
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Infect é um deck que se apoia da mecânica de mesmo nome da coleção de Nova Phyrexia, seu texto é o seguinte; “Esta criatura causa dano a criaturas na forma de marcadores -1/-1 e a jogadores na forma de marcadores de veneno”. Por um lado, parece com a mecânica “Murchar” vinda do bloco de Lorwyn, que fazia com que o dano causado pela criatura com a habilidade para outra criatura depositasse marcadores -1/-1 ao invés de dano, enfraquecendo-a permanentemente. Mas o nosso foco está nos marcadores de veneno. Uma espécie de marcadores que ficam no jogador e podem ser depositados nele de diversas maneiras diferentes. Qual a grande vantagem de colocar nos oponentes esse tipo de marcador? Quando um jogador acumula dez marcadores de veneno ele perde o jogo. Por anos, a deposição de marcadores de veneno era extremamente complicada, pois normalmente era feita fracionadamente, de poucas em poucas quantidades. O exemplo mais recente do uso de marcadores de Veneno é o

Fynn, the Fangbearer

de Kaldheim, que faz com que cada criatura com Toque Mortífero deposite dois marcadores quando ao conectar dano de combate no oponente, precisando assim de cinco criaturas com Deathtouch dando dano de combate ao longo da partida. Pode parecer algo rápido, mas Infect é ainda mais. Uma criatura com essa habilidade traduz seu dano em marcadores de veneno, ou seja, um 5/5 com Infect não dá cinco de dano ao oponente, e sim, deposita cinco marcadores de veneno. Logo, decks de Infect são construídos para conseguir dar dez de dano, ou algo próximo disso, em um único ataque, de forma que eles se tornam uma mistura de aggro e de combo.
O principal motivo para irmos em direção ao uso de Preto é a presença do

Phyrexian Crusader

. Apesar de ter um custo de mana mais caro que sua criatura padrão com Infect, essa criatura vem carregada com três habilidades preciosíssimas e que compensam a maior falha do Infect, a incapacidade de proteger as próprias criaturas. Com a proteção contra o branco e o vermelho dada por essa criatura podemos facilmente a proteger de decks Burn, uma match um pouco duvidosa para o Infect tradicional, sendo tanto suas criaturas quanto suas mágicas instantâneas de dano, como também nos protegermos dos exílios de decks brancos, mais facilmente ilustrados pelo sempre presente

Path to Exile

e pelo recente

Skyclave Apparition

. Além disso, caso uma criatura de outra cor o bloqueie, podemos sempre contar com sua habilidade de Iniciativa. Em criaturas com Infect, odano é dado na forma de marcadores -1/-1, somado a Iniciativa do Cruzado, podemos garantir muitas trocas extremamente favoráveis para ele e até mesmo a destruição de criaturas indestrutíveis do oponente. Essa criatura sem dúvida é a força motriz do Infect Preto e Verde, e a principal responsável pela mudança no baralho.

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Também temos como novidade no campo das criaturas o

Plague Stinger

, card de duas manas com evasão que busca substituir o

Blighted Agent

. Apesar de não ser tão eficiente quanto sua contraparte azul, essa criatura é, sem dúvidas, uma ótima adição para o deck, se aproveitando ao máximo da cor nova. As outras permanentes desse tipo presentes aqui são oriundas da base verde tradicional do Infect.

Glistener Elf

é o seu Drop 1 e pode fazer milagres, trazendo vitórias do nada em turnos muito precoces do jogo.

Noble Hierarch

está aqui para acelerar mana e trazer um extra com sua habilidade de Exaltado, garantindo bônus para atacantes solitários. A última criatura, na verdade, é uma manland, ou seja, um terreno que tem uma habilidade que a transforma em criatura.

Inkmoth Nexus

é um terreno que, além de gerar mana incolor também tem a seguinte habilidade a partir do custo de uma mana genérica; "Nexo de Mosco-tintas torna-se uma criatura artefato 1/1 do tipo Mosco-lume com voar e infectar até o final do turno. Ela ainda conta como um terreno.", se tornando mais uma criatura para seu exército de Infect.
Se tratando das outras mágicas, o preto nos traz

Abrupt Decay

. É importante apontar essa escolha ao invés do mais eficiente

Assassin’s Trophy

devido a velocidade que ela traz. Além de não poder ser anulada, a mágica não adiciona um terreno para o campo do oponente, impedindo-o de executar jogadas mais caras ou elaboradas. A restrição no custo da permanente a ser destruída também não quer dizer nada, uma vez que o Infect visa dar seu golpe fatal nos turnos iniciais do jogo. A última adição de mana preta para o deck principal é a carta

Thoughtseize

, que compensa a principal deficiência do Azul, a falta de um meio confiável de conseguir informações. No passado, com a disponibilidade de

Gitaxian Probe

no formato, era muito mais simples conseguir informações acerca das cartas em posse do inimigo, uma vez que esse trabalho poderia ser feito com o auxílio de mana phyrexiana, ou seja, ao custo de dois pontos de vida e com a fácil reposição da carta. Infelizmente este card foi banido, mas

Thoughtseize

torna-se uma opção viável com a adição do Preto, permitindo que o jogador usando esse deck desarme cartas vitais da mão do oponente. Apesar do descarte ser um recurso interessantíssimo, o principal ponto de Thoughtseize é permitir acesso a informações do oponente, mostrando o que ele tem em mãos e sinalizando para você se você pode ou não prosseguir com seu plano de jogo e qual o melhor jeito de fazer isso.
Por fim, no Maindeck, temos o que vai ajudar nossas criaturinhas a crescer muito em um turno e tornar o ataque singelo delas em um único hit mortal.

Scale Up

,

Groundswell

e

Might of Old Krosa

são Pumps monstruosos que fazem sua criatura crescer a níveis ridículos. Um Scale Up e um Might of Old Krosa são o suficientes para acabar com o jogo logo no primeiro ataque de um

Glistener Elf

caso o oponente esteja meio desavisado. Apesar dessas cartas darem quantidades altas de poder e resistência, o destaque principal é ao

Scale Up

que transforma sua criatura em um Vorme 6/4, mas que ainda mantém suas habilidades características, como Infect e Voar. Outro Pump mais singelo, mas igualmente efetivo, é

Mutagenic Growth

. Essa mágica instantânea dá +2/+2 para a criatura alvo, mas seu principal atrativo é o custo. Uma mana verde Phyrexiana, que pode ser paga tanto com mana verde comum, como com dois pontos de vida. Surpreendendo um oponente que deixa seu ataque passar devido a sua falta de mana.

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E por último, cobrindo a maior dificuldade do Infect, a

perda

de suas criaturas, temos duas mágicas de proteção que também servem como pumps,

Vines of Vastwood

e

Blossoming Defense

, ambas dão a criatura alvo proteção contra habilidades e mágicas que seus oponentes controlam. A primeira na forma de texto em extenso e a segunda na forma da habilidade hexproof. Sendo

Snakeskin Veil

uma carta nova de Kaldheim que funciona de modo parecido o suficiente com a

Blossoming Defense

para parecer reduntante ao deck, mas diferente o suficiente para merecer testes. Todas essas cartas só mostram a utilidade de

Thoughtseize

no baralho, que te permite decidir com maior facilidade o momento certo de atacar com tudo ou segurar mana para mágicas mais defensivas. A base de mana é bem simples, usando quatro

Overgrown Tomb

e diversas Fetchlands para busca-las, além das já citadas

Inkmoth Nexus

. Temos também terrenos básicos para nos aproveitarmos de

Ghost Quarter

,

Field of Ruin

e de

Path to Exile

do oponente. E claro,

Nurturing Peatland

, para buscarmos um Draw em um momento de necessidade.
No sideboard temos a presença de dois velhos companheiros do Infect.

Spellskite

e

Veil of Summer

, cartas que podem proteger suas criaturas e seu estilo de jogo. Além de novidades que a troca de cores nos traz,

Fatal Push

permite que tiremos criaturas menores da frente, assim como

Liliana, the Last Hope

com seu [+1]. Seu [-2] também tem utilidade, uma vez que permite que retornemos criaturas mortas para a mão. Sua última habilidade provavelmente jamais será usada, uma vez que o Infect foca em terminar o jogo no primeiro ou segundo ataque.

Faerie Macabre

não está aqui para ser conjurada e sim descartada com sua habilidade, que permite tirar cartas do cemitério do oponente, servindo como elemento surpresa para alguns decks baseados em cemitério. E, por último,

Choke

faz com que as ilhas do oponente não desvirem, uma tech que você não podia usar antigamente na shell UG devido a presença de ilhas no seu próprio deck. Somando tudo isso, temos no Infect BG uma variação extremamente confiável do Infect tradicional. O

Phyrexian Crusader

agrega um valor descomunal contra estratégias que normalmente fragilizariam o deck. Por último, devido ao recente ban de

Uro, Titan of Nature's Wrath

, eu acentuaria a ideia de trocar as Faerie Macabre por dois

Lurrus of the Dream-Den

, assim retornando as criaturas de custos mais baixos perdidas em batalha ou por mágicas do oponente. Esse é um deck divertidíssimo e, definitivamente, um prato cheio para aqueles que estão cansados de ver sempre os mesmos baralhos.

Nota

0

modern decktech infect mtg
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Pedro

Futuro dentista e dono do canal “Hora do Coelho” no Youtube. Sabe fazer o melhor Strogonoff que você já comeu na sua vida e adora animais pequenos. Tem um deck de Niv-Mizzet, Parun no Commander.

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