Magic: the Gathering

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Habilidade Atropelar: tudo sobre a keyword, interações e dúvidas

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Dentre as diversas mecânicas que existem desde o começo de Magic, Atropelar é uma das mais interessantes e enigmáticas de se lidar. No artigo de hoje, falaremos um pouco dela e das situações que podem aparecer na mesa!

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revised by Tabata Marques

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No grande mundo de Magic: The Gathering, encontramos com todo o tipo de habilidade em todo o tipo de criatura. Dentre elas temos habilidades simples, como voar, outras mais complicadas, como flanquear, e até aquelas que são muito complexas e até meio esquecidas, como é o caso de formar bando.

A habilidade Atropelar (Trample) está bem no meio termo. Ela é presente em toda coleção e, de certa forma, é corriqueira entre os jogadores, tal como voar. Ainda assim, ela é cheia de particularidades interessantes e situações inusitadas que podem dar nó na cabeça de jogadores.

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O que é Atropelar?

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Normalmente atribuída a criaturas grandes, principalmente da cor verde, Atropelar (Trample) é uma mecânica bem agressiva. Seu texto diz: “Esta criatura pode causar seu dano de combate excedente ao jogador, planeswalker ou batalha que ela estiver atacando.”

Ou seja, quando uma criatura com atropelar bate, todo o dano não utilizado para matar as criaturas com as quais ela batalhou vai para o alvo que ela está atacando, seja um jogador ou uma permanente que possa ter sido declarada como alvo.

Trample surgiu em Alpha como uma palavra-chave completa e estabelecida, o que é diferente de Vigilância, por exemplo, que começou com texto em extenso e foi com o tempo transformada em uma keyword própria. A carta mais famosa da edição com a habilidade é Force of Nature, conhecida por passar por cima de tudo que estivesse em sua frente (mas claro, isso foi há muito tempo, hoje em dia existem cartas muito mais otimizadas em custo/benefício).

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Mesmo que tenhamos que pagar um custo de manutenção de quatro manas verdes para não sacrificar essa criatura, ela era a mais poderosa do verde, capaz de terminar as partidas lentas da época graças a seus atributos corpulentos e sua habilidade.

Interações com Atropelar

Dentre as muitas situações nas quais Atropelar pode aparecer no jogo, existem aquelas que se destacam por serem mais complicadas e emblemáticas. Atropelar com Toque Mortífero, Atropelar contra Proteção e Atropelar contra Indestrutível, por exemplo.

Atropelar e Toque Mortífero

A primeira é a mais simples. Atropelar, quando agregado a Toque Mortífero (Deathtouch), cria a melhor situação possível para sua criatura atacante. Por mais que sua criatura 5/5 com ambas as habilidades seja bloqueada por uma 0/10, toque mortífero nos dá a capacidade de destruir uma criatura bloqueadora ao causarmos mínimos 1 ponto de dano.

Então, como a habilidade redireciona o dano excedente ao necessário para destruir o bloqueador, os outros 4 pontos de dano seriam jogados diretamente contra a vida de seu oponente ou outro alvo que você tenha atacado.

Infelizmente, não temos criaturas que já venham naturalmente com ambas as habilidades, sendo necessário obtê-las de algum jeito através de equipamentos, encantamentos e outros. Cartas como Majestic Myriarch e Odric, Lunarch Marshal que são ótimas em agregar palavras-chave de acordo com criaturas presentes na mesa, exílio ou cemitério, e tem facilidade para assimilar as habilidades, tornando-as ótimos atacantes.

Atropelar e Proteção/Indestrutível

Se olharmos bem nos nossos livretinhos de regras do Magic, vamos encontrar a regra 702.19b, e sim, o jogo tem pelo menos tudo isso de regras. Essa cláusula fala justamente sobre como atropelar se comporta com habilidades que impedem a criatura de ser destruída ou de sofrer dano. Ela basicamente diz que antes do combate rolar, o jogador que controla o atropelador deve designar o dano que será dado na criatura bloqueadora. Designar e causar dano são etapas totalmente diferentes e servem apenas como métricas para a matemática do jogo rolar.

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Assim, num combate hipotético em que atacamos com uma criatura verde 7/7 com atropelar e que vai ser bloqueada por uma 3/3 com proteção contra o verde (ou indestrutível), devemos primeiro designar a intenção de dano que queremos causar, o mínimo para hipoteticamente destruir a criatura alvo, 3 de dano, para então prosseguir com os cálculos do dano de atropelar que irão causar os 4 de dano excedentes no oponente. Então, mesmo que a criatura bloqueadora não vá morrer, devemos declarar a intenção do dano a ser causado, sempre.

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Em outra situação inusitada que pode ocorrer ao usarmos um deck que se beneficia de sacrifícios, com cards como Syr Konrad, the Grim, por exemplo.

Ao atacarmos com uma 7/7 com atropelar, caso sejamos bloqueados por um Phyrexian Obliterator, de acordo com as regras, é possível designar a totalidade dos 7 de dano para o Obliterator, e assim, sacrificar sete permanentes. Atribuir o dano de combate junto a atropelar é super importante e vai resolver muitas dores de cabeça ao falar sobre regras.

Atropelar contra um bloqueador que não está mais em campo

Essa é outra que acontece muito, mas é a mais simples de calcular, na verdade. Vamos supor que sua criatura com atropelar, um Botanical Brawler que no presente momento está 5/5, e é bloqueada por qualquer coisa do oponente, uma ficha talvez. O oponente então faz uso de um Village Rites para sacrificar a criatura bloqueadora e comprar cards. Então, seu Botanical Brawler fica ali socando o ar, igual aquele amigo seu depois de uns drinks. A questão é, se nosso Brawler não tem mais uma criatura para dar dano, existe um excedente de dano a ser calculado?

E, felizmente, a resposta não só é sim, como também é a melhor possível. Se uma criatura é removida do combate, todo o dano que seria direcionado a ela é calculado como excedente, e pode então ser redirecionado para o oponente ou até para a próxima criatura que receberia dano, no caso de múltiplos bloqueadores.

Esse tipo de situação também é muito comum quando misturamos Golpe Duplo e Atropelar. Muitas vezes, o bloqueador pode morrer na etapa reservada para o primeiro dano do golpe duplo, deixando seu atropelador pronto para dar o segundo dano integralmente ao oponente. Bem simples, não?

A carta Ride Down faz justamente isso, não só destrói um bloqueador como dá a criatura bloqueada por ela Atropelar, fazendo com que o dano quase sempre passe liso no oponente, como se não houvesse bloqueios.

Melhores Cards com Atropelar

Assim como qualquer habilidade, quando falamos de Atropelar fica óbvio que existem cards que melhor fazem o uso dela. Abaixo, falaremos de alguns deles.

Thrasta, Tempest’s Roar

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Thrasta, Tempest’s Roar é uma criatura bem interessante, devido ao fato de ser a única já lançada até hoje que tem a habilidade “Atropelar Planeswalkers”, ou seja, o excedente do dano que ela dá em um Planeswalker é direcionado ao jogador que o controla. Com esse antecedente, quem sabe também um dia não apareça um “Atropelar Batalha”?

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Isso leva a situações extremamente inusitadas e as regras oficiais que compreendem a carta são muito interessantes, inclusive cobrindo uma possível situação em que o Planeswalker seja transformado em criatura e tenha ambos os tipos ao mesmo tempo, o que faria possível o Planeswalker atacado bloquear defendendo ele mesmo, deixando o cálculo de dano bem diferente, mas ainda assim com o excedente direcionado ao jogador defensor.

Como Toque Mortífero não destrói Planeswalkers, ao menos que habilidades digam o contrário, Atropelar Planeswalkers não interage do mesmo modo que o Atropelar convencional, então fiquem espertos.

Primeval Titan

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Aqui temos um card que não só é conhecido por ser bem forte, mas que também faz uso de algumas mecânicas que já discutimos anteriormente. Primeval Titan não só é uma das criaturas mais fortes do Modern, formato conhecido por sua alta interação e jogabilidade, com muitas decisões complexas a serem tomadas em cada turno, como também é banido do Commander, por sua grande habilidade de rampar e tutorar terrenos que não precisam ser básicos, trazendo muita versatilidade a ele.

Um alvo costumeiro para ele é Sunhome, Fortress of the Legion, carta capaz de dar a ele golpe duplo, o que irá interagir maravilhosamente com sua possibilidade de atropelar, causando danos altos.

Craterhoof Behemoth

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Um card que é o endgame do Elfos Legacy e um monstro no Commander. Craterhoof Behemoth não tem a mecânica de atropelar diretamente impressa em seu card, mas pode ganhá-la, e dar ela as outras criaturas que você controla, no turno em que entra em jogo, além de fazer elas crescerem.

Combinando o sapão com elfos, não é difícil termos uma miríade de criaturas muito/muito atropelando na mesa e cheias de sangue nos olhos. É a carta perfeita para encerrar partidas e amizades.

Embercleave

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Poucas cartas deixaram mais cabelos em pé do que Embercleave. Unindo a capacidade de dar Atropelar e Golpe duplo para uma criatura, assim como a de entrar custando pouquíssima mana, de surpresa no campo e equipada a uma criatura atacando, essa sim era uma carta a se temer em baralhos agressivos.

Até hoje custando um preço alto, Embercleave tem uma força diferente. Ela não é forte só quando pode ser conjurada, e sim, por causar antecipação. Após encerrar um jogo com ela, seu oponente nunca mais vai esquecer e você poderá fazer ataques que de outra forma seriam arriscados muito mais naturalmente graças a ansiedade que a espada lendária causa.

Berserk

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Essa aqui é uma queridinha minha. Não só dobra o poder de uma criatura atacante, como também dá atropelar para ela.

É sempre mais que o suficiente para terminar partidas e num precinho super acessível de uma mana verde. Tem todas as melhores qualidades de Embercleave e está numa cor que faz uma ótima sinergia com a habilidade de atropelar, permitindo criaturas bem grandes em campo.

Claro, a criatura vai ser destruída no fim do turno, mas a ideia é que o jogo já tenha acabado.

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Considerações Finais

Devo dizer que, após refletir bem na habilidade, percebi que gosto muito dela. Atropelar termina jogos facilmente e é cheio de diferentes interações com muitas situações. Funciona bem para aprender regras novas e complicadas, mas que sempre aparecem em jogo, criando desfechos muito emocionantes e imprevisíveis.

E claro, torcendo desde já para que “Atropelar Batalhas” apareça no futuro. Até o próximo!